“A Gestapo de Tiozão”: aliados históricos da família Hagge revelam os bastidores da paranoia e da humilhação na volta a Prefeitura de Itapetinga.
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| Prefeito de Itapetinga esta sendo acusado por aliados políticos de plantar espiões para vigiá-los. |
Não foram apenas os cargos que eles perderam no “Natal do bota-fora gabirabas” promovido pelo prefeito Eduardo Hagge (MDB). O que está em jogo agora, para os chamados “gabirabas” que conseguiram retornar à máquina pública, é algo que eles valorizavam tanto quanto o salário no fim do mês: a liberdade de expressão dentro dos corredores da Prefeitura de Itapetinga.
O retorno a Prefeitura do Tiozão, para um seleto grupo que sobreviveu à limpa promovida em dezembro, tem sido descrito como uma verdadeira “via Crúcis”. Acostumados aos governos mais "paternais" de Michel e Rodrigo Hagge, esses servidores comissionados e aliados de longa data agora relatam viver sob um regime de vigilância implacável.
“Aqui a gente entra mudo e sai calado, ou, sofre as consequências”, desabafa um dos gabirabas, que preferiu trocar o desemprego por um cargo inferior, mas que agora se vê obrigado a seguir à risca as orientações do secretário de Governo, Geraldo Trindade (MDB): apoiar “Tiozão” incondicionalmente, ou estar fora.
O que torna a atmosfera ainda mais asfixiante, segundo os relatos, é a identidade dos “espiões” do prefeito. Em uma reviravolta digna de um enredo de suspense político, os vigilantes que agora monitoram as opiniões e a lealdade dos velhos aliados são justamente os ex-adversários de Eduardo Hagge nas eleições de 2024.
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Para esses gabirabas, ter de se curvar a quem até ontem estava no campo oposto é a maior das humilhações. “O pior não está na secretaria do Trindade. Lá na Secretaria de Administração, com a secretária municipal Cristiane Coelho, é como viver na época da Gestapo, a polícia secreta de Hitler.
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"Nunca foi assim, nem com o velho Michel, nem com Rodrigo", compara outro integrante do grupo, em um desabafo carregado de melancolia e medo.
A base de apoio que foi às ruas e às urnas para eleger Eduardo, carregando a bandeira da família Hagge, viu-se fragmentada. Alguns tiveram as cabeças a prêmio e foram guilhotinados. Outros, os que “remoram” à administração em funções inferiores, aceitaram o “presente de grego” por pura necessidade, com as contas apertando no fim do mês. “Deixam claro que seus votos são secretos”, ironiza um dos entrevistados, ciente de que a próxima eleição pode significar a ruptura definitiva com o sangue Hagge.
O cenário expõe o maior calcanhar de Aquiles da nova gestão. Desde que rompeu com o sobrinho e ex-prefeito Rodrigo Hagge (sem partido), Eduardo tenta desesperadamente construir um grupo político que possa chamar de seu. Ele consegue aglutinar pessoas pela força da “caneta”, o poder de nomear e exonerar. O verdadeiro desafio, no entanto, será convencer a antiga horda gabiraba a votar contra a própria família, transformando a máquina pública em um palco de guerra onde os espiões são os adversários de ontem e os vigiados são os aliados de hoje.

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