Doce vingança? Renan Pereira detona o Tiozão: ‘vai tomar uma cacetada na eleição’

Ex-vice-prefeito quebra silêncio após traição do Clã Hagge e crava derrota histórica de Eduardo: "Vai ser o pior prefeito da história de Itapetinga".

Doce vingança? Renan Pereira detona o Tiozão: ‘vai tomar uma cacetada na eleição’
Ex-vice-prefeito de Itapetinga Renan Pereira (União Brasil).

O clima esquentou nos bastidores da política itapetinguense. O que era um silêncio carregado de mágoa transformou-se em um verdadeiro "tiroteio verbal" através de áudios que circulam nos grupos de WhatsApp. O ex-vice-prefeito e decano da política local, Renan Pereira (União Brasil), não poupou adjetivos para destruir a imagem de gestor do atual prefeito, Eduardo Hagge (MDB), o popular "Tiozão".

A fúria de Renan foi despertada após uma publicação nos grupos de WhatsApp do ex-vereador Romildo Teixeira (Avante). Com um tom que mistura ironia ácida e a seriedade de quem conhece os corredores da prefeitura, Renan deixou claro que a fatura da "traição" sofrida na última eleição, quando foi preterido pelo grupo de Rodrigo Hagge, está sendo cobrada com juros e correção monetária.

"Sangue comendo sangue"
Renan iniciou elogiando a esdrúxula "aula" de Romildo sobre responsabilidade fiscal, mas logo emendou o verdadeiro recado. Para ele, o silêncio de Eduardo ao assumir a prefeitura, não revelando o rombo deixado pelo sobrinho e antecessor Rodrigo Hagge, é o pecado mortal que enterrará o atual prefeito.

"O que tá havendo é conivência. Diz que aquilo que faz com os outros paga lá no inferno. Mas paga aqui na terra mesmo. Nós tivemos uma traição política e tá sendo paga. Paga dentro da própria família. É sangue comendo sangue."

A "traição" citada por Renan remonta ao acordo de bastidores selado entre os ex-prefeitos José Otávio Curvelo e o falecido Michel Hagge (pai de Eduardo), que previa o revezamento no poder. Com a saída de Rodrigo, a vaga natural seria de Renan, que era o vice. No entanto, pressionado pelo clã, Rodrigo teria "dado uma rasteira" no aliado para lançar o tio, Eduardo, que "caiu de paraquedas" na disputa e venceu.

"Tiozão nunca administrou nada"
Se a traição foi o estopim, a gestão é o combustível da ira do decano. Em sua mensagem, Renan fez questão de desconstruir a principal vitrine da campanha de Eduardo: a suposta experiência como administrador no Frigorífico JBS.

"Primeiro, o tiozão nunca foi administrador de nada, rapaz. Eduardo era um comprador de boi do frigorífico. Venderam pro povo de Itapetinga que ele era o maior administrador de uma empresa de carne do Brasil e do mundo. Qual é administrador de empresa de carne nenhuma? Ele nunca administrou nem uma canela de boi lá no JBS."

Para Renan, a falta de conhecimento técnico somada à "omissão" sobre as contas deixadas por Rodrigo tornam Eduardo refém de uma herança maldita que ele mesmo se recusa a denunciar.

"Ele deveria ter feito isso no primeiro mês de governo. Já estamos completando o segundo ano e ele vai se enterrar. Vai ser o pior prefeito da história de Itapetinga. Ele é conivente com a situação que recebeu."

A profecia da "cacetada"
O ex-vice-prefeito, conhecido pelo tom franco nos bastidores, não poupou palavras ao projetar o futuro político do atual mandatário. Em linguagem direta e recheada de ironia, Renan cravou:

"A próxima eleição vai tomar uma porrada tão violenta que o Tiozão vai ficar zonzo. Ele vai tomar a maior cacetada política da história de Itapetinga nas próximas eleições."

Renan também relativizou as obras estaduais que podem ajudar Eduardo, como o prometido hospital regional. Para ele, o prefeito "aposta todas as fichas" em Jerônimo Rodrigues [governador], mas pode ficar a ver navios caso o cenário político mude em 2026.

"Imagine que ele perca a eleição de 2026, como está desenhado. Vai terminar clínica nenhuma, não é hospital nenhum. Vai deixar ele ver navio."

A ironia do destino: os 'gabirabas' agora perseguidos
O que torna o cenário ainda mais irônico, segundo análise de bastidores, é que o mesmo grupo que deu o "pontapé" em Renan para alçar Eduardo ao cargo de prefeito, os chamados 'gabirabas' hoje enfrenta uma perseguição política por parte daquele que ajudaram a colocar na cadeira. Fontes próximas ao ex-vice-prefeito revelam que aliados de primeira hora do atual prefeito, que participaram ativamente da articulação para trair o acordo com Renan, agora se queixam de retaliações, isolamento e falta de espaço na administração municipal.

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O movimento, tratado nos bastidores como um "tiro no pé" do clã Hagge, escancara a ingratidão política que, para Renan, é apenas mais um capítulo dessa novela. O "sangue comendo sangue" dentro da própria família política parece ter se espalhado também entre os aliados que outrora comemoravam a ascensão do "Tiozão".

"O grande culpado é o silêncio"
Ao final, Renan fez questão de dividir a conta: Rodrigo pode ter deixado a "situação de restos a pagar infinita", mas Eduardo é o responsável por não ter coragem de abrir o jogo com a população.

"O grande culpado de tudo é o Rodrigo, sim, mas o grande culpado, atendendo ao seu pronunciamento, é o silêncio dele por conivência sanguínea. Ele não abre a boca. Agora vai pagar com o próprio sangue."

O recado foi dado: para o decano, a política é como um prato que se come frio, e o banquete da vingança parece estar apenas começando.

É vida que segue...