Comunicação tenta emplacar Eduardo Hagge, mas prefeito patina no racha gabiraba e aliança tríplice

Entre factoides e traições, o “Tiozão” descobre que marketing não sustenta gestão e enfrenta o cerco dos próprios aliados que o elegeu.

Comunicação tenta emplacar Eduardo Hagge, mas prefeito patina no racha gabiraba e aliança tríplice
Prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB), em entrevista a uma emissora de rádio de Itapetinga.

Nas últimas semanas, os moradores de Itapetinga foram bombardeados por uma enxurrada de peças publicitárias que mais pareciam saídas de um manual de autoajuda para gestores. Sob o comando da equipe de comunicação da Prefeitura de Itapetinga, o prefeito Eduardo Hagge (MDB) foi alçado ao posto de “maior administrador de todos os tempos” em uma campanha de marketing sem precedentes na história da cidade.

O problema, caro leitor, é que a arte da mentira não se sustenta apenas na repetição.

Goebbels, o maestro da propaganda nazista, até pregava que uma mentira contada mil vezes vira verdade. Mas até ele sabia que, para isso, era preciso uma narrativa minimamente convincente. E é justamente aí que a tropa de choque da comunicação de Eduardo Hagge tropeça. Não basta encher os pôsteres com sorrisos e supostas, que mesmo que a supostas obras não seja sua se, nos bastidores, o chão da prefeitura treme com o peso das desconfianças e das facadas políticas.

Dentro do ninho gabiraba, a crise é profunda. O grupo que sempre foi notável em "furar a bolha" para eleger os seus agora se vê refém da própria cria. Nos corredores da rádio local e nas rodas de conversa do Café, até nos bares da vida, o que se ouve é um lamento só: o prefeito está nas cordas. E, ironicamente, quem o colocou lá foram justamente aqueles que o ajudaram a subir ao palanque.

O drama se intensifica com a aproximação das eleições. E o adversário mora ao lado. Ou melhor, senta à mesa de família.

Rodrigo Hagge, ex-prefeito e sobrinho de Eduardo, não perdoou a rejeição que sofreu do tio nos últimos acordos políticos. Agora, Rodrigo faz o que todo bom sobrevivente da política faz: une-se ao inimigo para derrotar o algoz. Em uma jogada digna de xadrez bipolar, Rodrigo fechou uma aliança poderosa com a líder da oposição, Cida Moura (PSD), e ainda selou uma dobradinha com o deputado federal Antônio Brito (PSD), figura consolidada no cenário local.

É a aliança tríplice em ação.

Eduardo Hagge, que na vida pública sempre lidou com boi e frigorífico na JBS, agora enfrenta o abate político. Como bem lembrou o ex-vice-prefeito Renan Pereira (União Brasil), em uma publicação certeira nas redes sociais, o atual prefeito “nunca havia administrado nada na vida, a não ser comprar bois”. O resto, segundo Renan, foi “conto da carochinha” para vender um gestor que a realidade insiste em desmascarar.

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O racha gabiraba escancara uma verdade dura: a política não perdoa traições. E, ao que tudo indica, o prefeito não consegue manter a própria palavra sobre os acordos que firmou. A perda de confiança entre os aliados históricos é o combustível que alimenta a máquina de Rodrigo Hagge, que hoje cavalga tranquilo rumo a uma candidatura a deputado estadual fortalecida.

Enquanto a comunicação tenta, desesperadamente, emplacar um herói, a política real mostra que o prefeito patina. E, no ringue da sucessão municipal, quem não avança, dança. Ou, no caso, é levado para o brejo pelos próprios bois que um dia ajudou a erguer, já que Eduardo Hagge sempre foi um bolsonarista é por conveniência é hoje, um petista.