Em meio a ameaça de paralisação de médicos e silêncio da prefeitura, gestantes recorrem a 'vaquinhas' familiares para garantir um parto seguro no Hospital Cristo Redentor de Itapetinga.
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| Hospital Municipal Virgínia Hagge de Itapetinga em crise após ameça de médicos e fornecedores por falta de pagamentos. |
Uma corrida contra o tempo e a incerteza. Este tem sido o drama de dezenas de gestantes em Itapetinga nas últimas semanas. Com a crise instalada no Hospital Municipal Virginia Hagge, a única opção pública para partos na cidade, famílias estão sendo forçadas a um sacrifício financeiro brutal: bancar procedimentos particulares no Hospital Cristo Redentor (HCR) a um custo médio de R$ 7 mil.
A situação, denunciada nas últimas semanas, é um efeito dominó de problemas administrativos. O Virginia Hagge, que centralizou os atendimentos especializados de partos e internações pediátricas com exclusividades ao atendimento obstétrico após o HCR (Hospital Cristo Redentor) desativar essa ala para priorizar um novo núcleo de oncologia para tratamento do câncer, sofre com atrasos nos pagamentos a fornecedores e, crucialmente, aos próprios profissionais de saúde. Relatos dão conta de que médicos anestesistas ameaçam paralisar os serviços por falta de pagamento, semeando a desconfiança entre as futuras mães.
Sem confiança na estrutura pública e temendo por sua segurança e a de seus bebês, as gestantes encontram no HCR um "porto seguro", mas com um preço proibitivo, à aquelas que não tem como bancar um parto privado. Para muitas, a solução tem sido organizar "vaquinhas" com familiares, mergulhando em dívidas para assegurar um parto sem riscos.
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| Em agosto 2024, o hospital festeja o primeiro parto na nova unidade Virgínia Hagge. |
Enquanto as famílias se desdobram para arcar com os custos, a Secretaria Municipal de Saúde, comandada por Myllena Orrico, escolhida a dedo pelo prefeito Eduardo Hagge (MDB), mantém um silêncio estrondoso. A população aguarda, em vão, um posicionamento público que acalme os ânimos e explique que medidas estão sendo tomadas para resolver a crise.
A ausência da gestão na saúde pública já havia sido notada em outro momento crucial: a inauguração do primeiro núcleo de oncologia do HCR, um avanço essencial para itapetinguenses com câncer que antes precisavam se deslocar para outras cidades, como Salvador, Itabuna e Vitoria da Conquista. A secretária Myllena não compareceu ao evento, em uma ausência sentida como política.
Além de partos, crise no Virginia Hagge ameaça parir na gestão Eduardo Hagge mais um desgaste político.
O drama se aprofunda para as famílias que não têm R$ 7 mil. Para elas, a única opção é cruzar os dedos e depender da dedicação das enfermeiras do Virginia Hagge, descritas por relatos como "heroínas" que se transformaram em "parteiras do século XXI". A grande interrogação que paira no ar é: o que acontece se houver uma complicação durante o parto, sem a presença garantida de médicos especialistas?
A crise no Virginia Hagge, conforme apurado pelo IDenuncias, não é inesperada. Colunistas já alertavam para os erros da gestão anterior, de Rodrigo Hagge, em construir um hospital sem a devida avaliação sobre a capacidade financeira da prefeitura em mantê-lo funcionando.
Hospital Municipal, um erro de cálculo do prefeito Rodrigo Hagge de futuro duvidoso. Entenda
Agora, na gestão do prefeito Eduardo Hagge, o problema se materializa no bolso e no desespero das famílias. Enquanto a prefeitura se omite, itapetinguenses são obrigados a escolher entre o risco na maternidade pública ou o endividamento na maternidade privada, um dilema cruel em um momento que deveria ser apenas de alegria.


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