R$ 40 milhões para aliados e medo da derrota: o dilema dos vereadores do Tiozão

Entre o doce sabor dos cargos e o amargor das urnas, a base governista em Itapetinga descobre empreguismo não garante futuro político.

R$ 40 milhões para aliados e medo da derrota: o dilema dos vereadores do Tiozão
Temor de uma aliança tríplices ameça projeto do prefeito de Itapetinga e de vereadores aliados.

A terça-feira (24/02) marca o retorno dos trabalhos na Câmara Municipal de Itapetinga, mas não espere sorrisos protocolares. O clima para o prefeito Eduardo Hagge, o popular “Tiozão”, está mais para enterro do que para festa de reencontro. O motivo? Uma mistura clássica de estômago cheio e coração apertado.

Para manter a "fidelidade" da sua base, o Tiozão não economizou no cardápio. São nada menos que R$ 40 milhões destinados ao que chamamos gentilmente de "empreguismo terceirizado". É muita gente indicada por vereador pendurada nas secretarias municipais para manter o silêncio diante de qualquer irregularidade da gestão.

Poderia ser o paraíso do assistencialismo político, se não fosse por um detalhe que o prefeito esqueceu de enfatizar: a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O choque de realidade: Essa gastança milionária com terceirizados entra na conta dos gastos de pessoal. Ou seja, o prefeito está vendendo um terreno na lua; o limite legal bate à porta e as indicações prometidas podem virar "espuma ao vento". O marketing é bom, mas o caixa é finito.

Enquanto os vereadores se deliciam com as migalhas do orçamento, um monstro de três cabeças tira o sono da base governista no horizonte de 2026 e 2028. A aliança entre Cida Moura, Rodrigo Hagge e Antônio Brito desenha um cenário de "rolo compressor" nas urnas.

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O cálculo dos bastidores é simples e cruel: Rodrigo Hagge apoiaria Cida Moura para a prefeitura em 2028, e, em contrapartida, Cida retribui o apoio para Rodrigo (deputado Estadual) e Antônio Brito (Federal) agora em 2026.

Os nobres edis de Itapetinga estão em um beco sem saída. Se ficarem com o Tiozão por causa dos cargos, correm o risco de serem atropelados pelo sucesso eleitoral da oposição.

E o pior: se perderem a aposta agora, o grupo vencedor dificilmente os receberá de braços abertos no futuro. Quem trai por conveniência, é aceito por necessidade, mas vigiado com eterna desconfiança.

No fim das contas, os R$ 40 milhões podem até garantir o almoço de hoje, mas não garantem o mandato de amanhã. Será que o preço da lealdade ao Tiozão vale o risco do desemprego político?

É vida que segue...