Entre o despejo da própria herança e a "ceia dos traídos", Eduardo Hagge descobre que na política de Itapetinga a Quaresma chegou mais cedo e sem direito a ressurreição.
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| Os desafios do prefeito de Itapetinga após o carnaval: a nova aliança política adversária e ameça de fechar as portas do Hospital Virginia Hagge. |
Para o prefeito Eduardo Hagge (MDB), a quarta-feira de Cinzas não traz apenas o fim da folia, mas o início de uma Via Crúcis que faria até o mais fervoroso fiel tremer as bases. Enquanto o confete ainda é varrido das ruas, o "Tiozão" se prepara para trocar as marchinhas pelo som fúnebre de um oficial de justiça batendo à porta do Hospital Virgínia Hagge (HVH).
O primeiro grande "B.O." do prefeito é digno de roteiro pastelão político. Em 15 dias, a única maternidade da cidade pode fechar as portas por despejo. O motivo? Uma desapropriação que nasceu torta e foi ignorada pela atual gestão com a destreza de quem finge não ver boleto vencido.
Se fechar o Hospital Virginia Hagge, o Judiciário pode virar vilão por um erro do prefeito de Itapetinga
A equipe jurídica de Eduardo, num esforço gigantesco de "empurra-empurra", tentou lavar as mãos ao culpar o antecessor e sobrinho, Rodrigo Hagge, pelo decreto original. O clássico "a culpa é do ex" não colou na Justiça, e agora o prefeito corre o risco de ver o hospital que leva o nome de sua própria irmã ser lacrado por pura incompetência administrativa. Pelo visto, o jurídico do Tiozão achou que decisões judiciais eram apenas sugestões de leitura.
Como desgraça pouca é bobagem, o cenário político local resolveu servir um banquete indigesto. A nova aliança entre a líder da oposição, Cida Moura (PSD), e o sobrinho "renegado" Rodrigo Hagge promete, a partir de abril, apequenar o atual gestor antes mesmo de ele pensar em reeleição.
A conta é simples, mas dolorosa para o MDB local: Cida tem os votos, e Rodrigo tem o poder de transferência de votos que, ironicamente, foi o que colocou o tio na cadeira de prefeito em 2024. Para completar o tempero, o deputado Antônio Brito entra na jogada, formando uma tríplice aliança que visa as próximas cadeiras legislativas e deixa Eduardo isolado em seu próprio castelo de cartas, cercado de ex-inimigos, que fingem ser novo amigão após ofertá-los com boquinhas na Prefeitura.
Cida Moura deve virar estrela de uma eleição que pode detonar o Tiozão
Se nas ruas o clima é de Quaresma, nos bastidores o gosto é de vingança. O grupo "Gabiraba", fundado pelo pai do prefeito, parece não ter digerido bem a "traição natalina" das demissões em massa promovidas por Eduardo. A debandada para o lado de Rodrigo é real e barulhenta, após “coisas pequenas” do Tiozão.
Para piorar a imagem, enquanto seus rivais se fortalecem, Eduardo Hagge segue abraçado aos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima, com a candidatura do Jayme Vieira Lima (MDB), primo dos notórios irmãos ‘mãos leves’. O problema? Os padrinhos acabam de ganhar um novo processo no STF por lavagem de dinheiro envolvendo, vejam só, compra de gado.
Entre o risco de fechar uma maternidade e a fúria dos aliados traídos, o Tiozão descobrirá que, em Itapetinga, o Carnaval passou, mas a máscara da sua gestão parece estar caindo rápido demais.
É fim de festa, é vida que segue...
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