Entre prazos perdidos e cargos comissionados, a gestão atual tenta transformar incompetência administrativa em herança maldita.
![]() |
| Nova guerra de versões no clã Hagge: que será o culpado pelo fechamento do hospital maternidade de Itapetinga. |
Dizem que em família a gente divide o pão, mas na política de Itapetinga, o prefeito Eduardo Hagge (MDB) prefere dividir a culpa, de preferência, jogando o naco maior no prato do sobrinho, o ex-prefeito Rodrigo Hagge. O enredo é o seguinte: o Hospital Virgínia Hagge, a única salvação para grávidas e crianças da cidade, está com a corda no pescoço. E qual a solução do prefeito de Itapetinga? Resolver o problema jurídico? Pagar o valor justo pelo imóvel? Não. A estratégia é a clássica “culpa do ex”.
É fascinante observar a ginástica mental da atual gestão. Eduardo, que está no comando há mais de um ano e conhece cada vírgula do processo, resolveu que as decisões judiciais eram meras sugestões literárias. Ignorou alerta, perdeu prazos, o famoso prazo de 120 dias que qualquer estagiário de direito anotaria na agenda, e agora, com a polícia batendo à porta para reintegrar a posse do imóvel, ou seja, fechar o hospital, ele aciona sua “tropa de choque”.
Se fechar o Hospital Virginia Hagge, o Judiciário pode virar vilão por um erro do prefeito de Itapetinga
Nas redes sociais, o espetáculo é deprimente. A brigada de indicados em cargos de confiança, aqueles que devem o contracheque à caneta do tio, recebeu a ordem do dia: “A culpa é de Rodrigo Hagge!”. É uma ironia deliciosa. Eduardo, que subiu as escadarias da Prefeitura carregado nos braços pelo grupo "Gabiraba" e pela força dos votos do sobrinho, agora usa esses mesmos braços para atirar pedras no sobrinho, Rodrigo.
O argumento da gestão é de uma criatividade ímpar: o erro jurídico de hoje, cometido sob a batuta de Eduardo, seria uma "herança" do sobrinho e ex-prefeito. Ora, se o atual prefeito passou um ano ignorando o Judiciário e oferecendo uma "esmola" de R$ 1,7 milhão por um complexo que vale R$ 14 milhões, a culpa é de quem? Do passado ou da atual junta de advogados da Prefeitura de Itapetinga que parece confundir o Tribunal de Justiça com um balcão de negócios de feira livre?
Enquanto o tio e o sobrinho se engalfinham nos bastidores, ou fingem que o fazem para salvar a pele do atual gestor, a população de Itapetinga fica no vácuo. A decisão do juiz Fernando Marcos Pereira é clara: 15 dias para sair. Se o hospital fechar, o desgaste será imenso, mas Eduardo Hagge parece apostar que o Judiciário terá "pena" e não expulsará os bebês da sua maternidade, usando a vida humana como escudo para sua própria incompetência técnica.
O QUE PENSA: Justiça da Bahia põe legalidade acima da vida e pode deixar Itapetinga sem maternidade pública
O que se desenha não é um problema jurídico, é um atestado de incapacidade administrativa. Itapetinga é grande demais para ser gerida como se fosse um quintal de família onde se joga o lixo no terreno do vizinho quando a fiscalização chega.
Se o Hospital Virgínia Hagge fechar, não adianta mandar a "tropa do zap" culpar o ex-prefeito. A caneta que ignora prazos e subestima o valor da propriedade alheia hoje tem um dono só. E o povo, que não é bobo, sabe que em política, quem despreza o grupo que o elegeu e joga a culpa no aliado de ontem, geralmente acaba falando sozinho amanhã.
É vida que segue...

Social Plugin