Como os vereadores de Itapetinga forjaram verba de gabinete para esconder o novo vale-alimentação

Enquanto o povo aperta o cinto, a Câmara de Itapetinga aumenta o apetite com manobra de R$ 3.500, que garanta o almoço e jantar dos vereadores com dinheiro público.

Como os vereadores de Itapetinga forjaram verba de gabinete para esconder o novo vale-alimentação
Câmara de Itapetinga aprova Resolução para garantir vale-alimentação para os vereadores. 

O que era tratado como "fake news" nos corredores do Legislativo de Itapetinga acaba de ganhar contornos de escândalo oficial. Após tentarem e recuarem sob críticas, a criação de um vale-alimentação direto, os 15 vereadores da cidade mostraram que são mestres na arte da "maquiagem legislativa". A estratégia agora é camuflar o benefício dentro de uma nova Verba de Gabinete, elevando o valor para impressionantes R$ 3.500,00 mensais apenas para garantir o almoço e o jantar da "nobreza" local.

Tudo começou em março, no gabinete do presidente da Casa, Neto Ferraz (PDT). Naquela época, a ideia de um vale-alimentação de R$ 2.500 era vista como "esdrúxula" pelos próprios vereadores. Quando o site IDenuncias trouxe o caso à luz, a assessoria da Câmara correu para as redes sociais e mídia local para desmentir, tentando abafar a crítica popular.

Como os vereadores de Itapetinga forjaram verba de gabinete para esconder o novo vale-alimentação

Mas a fome de benefícios foi maior que o medo das urnas. Os parlamentares esperaram a poeira baixar para aplicar o "pulo do gato": em vez de um benefício separado, inflaram a Verba de Gabinete. O resultado? Um acréscimo que agora permite gastar até R$ 1.000 a mais do que a proposta original do vale-alimentação, totalizando os R$ 3,5 mil que podem ser justificados com notas fiscais muitas vezes difíceis de fiscalizar.

Para o cidadão que trabalha o mês inteiro para colocar o básico na mesa, os números da Câmara de Itapetinga parecem vir de outra realidade. Confira o "pacote de bondades" que os vereadores aprovaram para si mesmos:

Salário de Luxo: R$ 13.400,00 para uma carga horária de apenas dois dias de sessão por semana.

A "Feira" Grátis: R$ 3.500,00 de verba para alimentação (embutida no gabinete).

Tanque Cheio: R$ 1.500,00 de vale-combustível, sem qualquer prestação de contas sobre quem realmente usa o carro.

Turismo Legislativo: Diárias de viagem que ultrapassam os R$ 3.000,00, muitas vezes para destinos e eventos de utilidade duvidosa.

Isso, sem falar das garantias trabalhistas de terem o direito ao 13º salário e férias garantidos em 2023, na gestão do então presidente, hoje, falecido, João de Deus. Com um detalhe, eles [vereadores] trabalham apenas dois dias por semana e cumprem uma jornada de trabalho de 6 horas semanais.   

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A manobra não aconteceu por acaso. Nos bastidores, o primeiro-secretário Tiquinho Nogueira (PSD) teria sido o articulador da "consulta" aos pares. O resultado foi unânime: nenhum dos 15 vereadores se manifestou contra o novo penduricalho. A estratégia de usar uma "emenda à resolução" serviu para evitar um projeto de lei que exigiria mais transparência e debate público.

Enquanto a verba de gabinete pode ser facilmente "maquiada" com notas fiscais de restaurantes e bares, a população de Itapetinga fica com a conta. Em um ano eleitoral, os parlamentares parecem acreditar na memória curta do eleitor.