Menosprezar prefeitos na Bahia, como fez ex-prefeito é repetir um erro que o próprio avô já ensinava a evitar e Jerônimo Rodrigues trata de lembrar ao vivo o preço dessa arrogância eleitoral.
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| Polêmica fala de ACM Neto (união Brasil) em Vitória da Conquista sobre apoio de prefeitos a petista gera repercussão negativa para campanha do ex-prefeito. |
Há algo de familiar no jeito de ACM Neto (União Brasil) fazer política. Ele larga na frente, empolga, convence. Mas, quando a reta final se aproxima, algo começa a ruir e não por acaso. A mais recente declaração do ex-prefeito de Salvador sobre os prefeitos baianos escancara, como um flashback indigesto, o motivo de ele ser bom de largada e ruim de chegada.
Vamos aos fatos recentes. Durante um evento em Vitória da Conquista, ACM Neto resolveu menosprezar o apoio dos gestores municipais ao governador Jerônimo Rodrigues (PT). Com aquela pose de quem já se vê sentado no Palácio de Ondina, disparou: “Com todo o respeito aos prefeitos, quem resolve a eleição é o povo. Essa coisa de ter 300 prefeitos muda nada, representa nada.”.
Estima-se que nessa eleição ACM Neto tenha o apoio de menos de 50 prefeitos de uma Bahia de 417 municípios.
Pois é. O mesmo ACM Neto que, em 2022, apareceu nas pesquisas com vantagem folgada sobre Jerônimo, chegando a sonhar com vitória ainda no primeiro turno viu sua campanha derreter. E por quê? Justamente porque não suportou o peso da força petista no interior da Bahia. Onde? Nas cidades comandadas por… isso mesmo: prefeitos.
Por que ACM Neto não empolga mesmo liderando com folga as pesquisas para 2026
A ironia histórica, porém, é ainda mais cruel. Nos tempos de glória da liderança do avô do ex-prefeito, o saudoso Antônio Carlos Magalhães, o Velho ACM, que sabia como ninguém jogar o jogo das alianças, era comum ouvi-lo no palanque, em alto e bom som:
“Para conquistar a Bahia, é preciso conquistar o interior.”
Ele se referia, claro, às cidades do interior baiano. À força dos prefeitos, dos vereadores, dos líderes comunitários que, juntos, movem eleições. O neto, ao que parece, não herdou apenas o sobrenome. Herdou também a vontade de vencer. Só que esqueceu ou deliberadamente ignorou a principal lição do patriarca.
E o governador Jerônimo Rodrigues, esse, tratou de lembrar. Neste sábado (30/05), em Paulo Afonso, Jerônimo não perdeu a oportunidade. Fez um convite direto aos prefeitos da oposição que se sentiram desvalorizados: “Se ele está tratando os prefeitos, inclusive os dele, dessa forma, se quiserem vir para cá, a gente aceita, sem problema nenhum.”
E ainda perguntou, com um sorriso no canto da boca: se prefeito não tem valor, o que diria ACM Neto sobre Bruno Reis (Salvador), Zé Ronaldo (Feira de Santana), Sheila Lemos (Vitória da Conquista) e Valderico Júnior (Ilhéus)? Todos do União Brasil. Todos prefeitos. Todos, supostamente, sem importância.
Por fim, o governador petista foi cirúrgico: “Ele foi prefeito, não pode desautorizar a história dele. Aquilo causou uma fricção muito grande junto aos prefeitos.”
Causou, sim. E não foi pouca. Nos grupos de WhatsApp da União dos Municípios da Bahia (UPB), a declaração de ACM Neto gerou um mal-estar. Prefeitos se sentiram desrespeitados. A própria Sheila Lemos, aliada de Neto, teve que intervir para que o grupo não “virasse bagunça”.
A verdade é que, ao desprezar os prefeitos, ACM Neto não apenas desrespeita aliados em potencial. Ele reescreve mal a própria biografia. Foi prefeito, sim. De Salvador, a capital. Mas deveria saber que, na Bahia, governo não se faz só com palanque na Avenida Sete. Faz-se com conversa de pé de serra, com abraço em feira livre, com respeito a quem governa município de 20 mil habitantes.
Enquanto isso, Jerônimo Rodrigues trata de acolher. E o neto de ACM bom de largada, ruim de chegada segue tropeçando na própria língua. O Velho, de onde estiver, deve estar balançando a cabeça branca, repetindo baixinho:
— Não se conquista a Bahia desprezando o interior, menino.

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