Sobrinho e tio trocam farpas publicamente; relação que começou com apoio termina em guerra aberta.
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| Troca de acusações sobre traição no Clã Hagge esquenta a política de Itapetinga. |
O que era para ser a consolidação de um clã político virou um ringue de facas na cidade. De um lado, o sobrinho e ex-prefeito Rodrigo Hagge (MDB). Do outro, o tio e atual prefeito Eduardo Hagge (MDB). A ajuda que ergueu Eduardo à cadeira mais alta do Executivo municipal agora é lembrada apenas como o começo de uma guerra sem tréguas.
O último capítulo desse confronto familiar e político foi escrito nas redes sociais, mas poderia muito bem ser o roteiro de uma novela de traição e poder. O estopim foi uma fala de Rodrigo Hagge (PSDB), candidato a deputado estadual, ao responder uma pergunta direta: “Você se arrepende de ter apoiado o seu tio?”
Com a voz carregada de mágoa, mas sem pestanejar, Rodrigo disparou:
“Com certeza não. Tive a melhor das intenções, acreditei e apostei; infelizmente não correspondeu à expectativa. (...) Quem tem que se arrepender é quem traiu a confiança, é quem não honrou os votos que teve.”
A palavra que ficou ecoando no ar, como uma bomba, foi uma: TRAIÇÃO.
A resposta de Eduardo Hagge não demorou. Dentro de um carro, em um vídeo que viralizou, o prefeito tentou desferir o golpe de paciência e sobriedade, mas não escondeu a irritação. Com um tom de quem dá uma bronca de pai, mas também de adversário ferido, Eduardo rebateu:
“Que ele procure desenvolver, né, ideias, propostas, dialogar com a região, coisa que não fez. Tanto é que os colegas prefeitos da região nenhum acompanha o ex-prefeito, não tem apoio de nenhum.”
E o conselho, dado com ironia e uma ponta de veneno:
“Espero que a campanha não faça plataforma usando ‘mimimi’ de traição. (...) Leve propostas à população.”
A fala do prefeito tenta colocar Rodrigo no papel de ingrato e isolado. Mas nos bastidores, a história é bem mais dramática.
A briga entre tio e sobrinho escancarou um movimento silencioso, mas devastador. Para retaliar o tio que o traiu, Rodrigo Hagge está fazendo o que ninguém no MDB local esperava: abraçar velhos inimigos.
Fontes ligadas à campanha confirmam que Rodrigo já está em negociações avançadas com a líder da oposição em Itapetinga, Cida Moura (PSD), algo impensável há seis meses. Mais grave: o ex-prefeito já selou aliança com o consolidado grupo do deputado federal Antônio Brito (PSD) em Itapetinga.
Ou seja, Rodrigo está montando um verdadeiro “front de vingança” contra o tio, unindo adversários históricos e insatisfeitos.
Enquanto isso, o prefeito Eduardo Hagge aposta suas fichas no pré-candidato a deputado Jayme Vieira Lima, primo do ex-ministro Geddel Vieira Lima. O problema? O nome de Geddel acaba de ser citado em uma delação premiada envolvendo uma facção criminosa em Eunápolis, na Bahia. O escândalo respinga e enfraquece o grupo que Eduardo tanto defende.
O Primo, o Prefeito de Itapetinga, o Geddel: O plano de voo de Jayme Vieira Lima entra em pane
O cenário é explosivo. Rodrigo, que antes carregava o tio nas costas, hoje caminha com adversários do passado. Eduardo, que governa a cidade, vê o sobrinho que o elegeu se transformar num fantasma do mal-estar.
O que está em jogo não é apenas uma vaga na Assembleia Legislativa ou no palanque de 2026. É a alma política dos Hagge. Se a aliança de Rodrigo com Cida Moura e Antônio Brito prosperar, o prefeito Eduardo pode amargar um retumbante fracasso eleitoral em sua própria cidade, vendo o sobrinho que o acusa do traidor ser ovacionado por aqueles que um dia foram seus maiores algozes.
A guerra está declarada. E Itapetinga, dividida, assiste de camarote o que parece não ter mais volta: a consagração de uma rivalidade que transformou laços de sangue em poeira eleitoral.

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