Com aumento de 400% em contrato suspeito de R$ 300 mil para cartões e verba de gabinete reajustada para R$ 3.500,00, parlamentares se blindam com diárias de R$ 2,4 mil enquanto tentaram criar ‘vale-alimentação’.
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| Mesa Diretora da Câmara Municipal de Itapetinga |
Enquanto a população enfrenta dificuldades financeiras e cobra austeridade do serviço público, a Câmara Municipal de Itapetinga aprova, às vésperas do período eleitoral, um pacote de medidas que amplia de forma obscena os gastos públicos com a própria casta política. Sem o mínimo pudor, os 15 vereadores aprovaram a Resolução nº 207/2026, que turbina a verba de gabinete para R$ 3.500,00 mensais, um aumento que escancara o apetite voraz por recursos públicos, em votação relâmpago.
A farra, no entanto, não para por aí. Em menos de 70 dias, a Casa protagonizou um salto inexplicável no contrato de manutenção dos cartões combustíveis. O que era operado por uma administradora por R$ 60 mil anuais (janeiro de 2026) foi substituído, sem justificativa técnica plausível, por outro de R$ 300 mil (março de 2026) com a empresa Smart Serviços. Um aumento de 400% pelo mesmo serviço. Coincidência ou não, o presidente em exercício, Antônio Ferraz Silva Neto, permanece em silêncio, e os documentos oficiais ignoram a nova Lei de Licitações (nº 14.133/2021) ao não apresentarem a planilha de justificativa de preços.
Contrato de cartão de combustível para vereadores de Itapetinga salta de R$ 60 mil para 300 mil em apenas 64 dias
A nova resolução, publicada em 10 de abril de 2026, altera a Resolução nº 195/2023 e permite que os parlamentares utilizem a verba turbinada de R$ 3.500,00 para adquirir combustível, alimentação, materiais gráficos e até locação de bens móveis, ou seja, aluguel de carros. Na prática, além dos R$ 1.500,00 mensais que já recebem em cartões recarregáveis para abastecer seus veículos, sem qualquer transparência, os vereadores agora terão uma cota adicional de combustível dentro do novo valor, sem qualquer controle efetivo de finalidade pública.
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| Nova verba de gabinete deve bancar, mais combustíveis e alimentação dos vereadores de Itapetinga, após desistência do vale-amentação. |
A conta é indigesta para o contribuinte. Somando o contrato suspeito de R$ 300 mil com os R$ 1.500 mensais por vereador, o custo total estimado para 2026 ultrapassa R$ 502 mil, equivalente a R$ 33.500 por parlamentar apenas com combustível. E isso sem contar o novo “bônus” da verba de gabinete.
A ironia é ainda mais cruel. Os mesmos vereadores que agora ampliam seus próprios benefícios já recebem diárias de viagem padronizadas de três dias, que somam R$ 2.399,55. Esse valor, por si só, já supre integralmente as necessidades de alimentação e deslocamento externo. Mesmo assim, a nova resolução inclui despesas com “alimentação em reuniões e agendas externas”, um extra disfarçado para engordar os contracheques indiretos dos vereadores de Itapetinga.
Câmara de Itapetinga recua na aprovação do vale-alimentação para vereadores
Recentemente, a Câmara tentou ir além. Um movimento explícito para criar o chamado “vale-alimentação”, uma espécie de auxílio-alimentação para os próprios vereadores, foi descoberto e denunciado pelo IDenuncias, a Mesa Diretora da Casa negou a existência da proposta, acusando o site de fake News. A pressão foi tamanha que os parlamentares recuaram, mas a tentativa revela o padrão: enquanto a população cochila, eles tentam criar penduricalhos atrás de penduricalhos.
Enquanto os vereadores fingem que o problema não são deles, e sim, da atual presidência da Câmara, Neto Ferraz (PDT), que eleva os esquemas da farra parlamentar com dinheiro público. Os vereadores, que agora podem gastar além dos R$ 1.500,00 mensais com o novo benefício turbinado, agem como se a cidade fosse propriedade particular.
A mensagem que fica é clara: em ano eleitoral, o pudor fica em casa, mas o dinheiro público não.


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