Com taxas que subiram até 500% em apenas um ano, Eduardo Hagge abre licitação para bancar serviço funerário a carentes, dinheiro que não seria necessário se ele não tivesse transformado a morte em negócio.
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| Cemitério Parque da Eternidade de Itapetinga, na Bahia. |
Tem coisa mais cínica do que criar um problema e depois vender a solução? Em Itapetinga, o prefeito Eduardo Hagge (MDB) parece ter transformado isso em método de gestão.
Desde que assumiu a cadeira de prefeito em janeiro de 2025, Eduardo Hagge, tratou de “atualizar” as taxas dos cemitérios municipais. Atualizar, aqui, é eufemismo. O que houve foi um verdadeiro massacre de impostos sobre os mortos e seus familiares.
O sepultamento em cova rasa, que custava R$ 50 em 2024, saltou para R$ 200, aumento de 300%. O túmulo individual, que saía por R$ 300, agora exige R$ 1.500 da família enlutada, um reajuste de 400%. Em alguns casos, a conta chegou a impressionantes 500%. E não para por aí: o Decreto nº 231/2025 criou uma “taxa de permanência” anual de 50% do valor contratual. Isso mesmo: um aluguel para quem já morreu. Quem não pagar, corre o risco de ver os restos mortais de seus entes queridos retirados da cova.
O argumento da Prefeitura? Que os preços não eram reajustados desde 2006. O que a gestão esquece de dizer é que, em 2024 há apenas um ano, os valores eram outro. Não é correção inflacionária, é arrecadação predatória.
Agora, em março de 2026, o prefeito Eduardo lança o Chamamento Público nº 002/2026 para credenciar uma empresa privada que preste “serviços funerários para pessoas carentes”. O valor total do contrato, apenas para o Lote I, é de R$ 290.997,20, e o lote II de R$ 88.000,00, que somam 378.997,20.
O negócio inclui desde urnas simples de adulto (R$ 1.556,56 por serviço) até as chamadas urnas “baleia” e “jumbo”, sim, para quem quer luxo até na hora de ir dessa para melhor, custando mais de R$ 2.400 cada.
A empresa credenciada? Samuel Rodrigues Jacob Sousa Moreira, CNPJ 32.025.985/0001-04. Sozinho.
Sem concorrência. Sem alarde. Apenas um chamamento público que permanece “aberto” para novos interessados, mas, curiosamente, já tem seu primeiro e único credenciado habilitado.
Vamos fazer as contas, que o prefeito parece torcer para ninguém fazer.
Antes de Eduardo Hagge aumentar as taxas, uma família pobre pagava R$ 50 para enterrar um ente querido em cova rasa. Agora, paga R$ 200 quando não é obrigada a desembolsar R$ 1.500.
O dinheiro arrecadado com essa “taxa da morte”, que engrossou os cofres municipais, poderia muito bem custear os sepultamentos dos mais pobres. Mas não. O prefeito preferiu primeiro sangrar o cidadão, e depois gastar quase R$ 400 mil dos cofres públicos para contratar uma funerária privada e fingir que está sendo bondoso.
O preço da morte: Eduardo Hagge impõe taxas abusivas nos cemitérios de Itapetinga e amplia desgaste
Se Eduardo não tivesse aumentado as taxas em até 500%, não precisaria gastar um centavo com essa licitação. Os próprios valores pagos pelas famílias, incluindo as mais pobres, já seriam suficientes para cobrir os custos do serviço. O que ele fez foi: aumentou o preço para todos, criou um problema de acesso para os pobres, e agora quer sair de herói gastando dinheiro público com um empresário amigo.
Enquanto isso, a população de Itapetinga vive um drama duplo: o da perda de quem ama e o da humilhação de ter que pagar uma fortuna para dar um enterro digno, pior em menos de 4 anos: ou pagar para manter na cova, ou será desenterrado.”. As taxas abusivas viraram assunto de enterro literalmente. Famílias revoltadas usam os próprios velórios para denunciar o prefeito.
A imagem de Eduardo Hagge, já desgastada por decisões impopulares desde o início do mandato, desmorona a cada novo decreto. O sentimento nas ruas é de indignação: a Prefeitura transformou o luto em fonte de receita, e agora quer gastar o dinheiro do contribuinte para consertar o estrago que ela mesma fez.
E o morto que se dane. Ele já não vota mesmo.

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