TCM aponta para servidores com salários duplicados que superam os vencimentos do próprio vice-prefeito de Itapetinga.
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| Prefeito de Itapetinga, Bahia Eduardo Hagge (MDB). |
Olha, quem acompanha a política local sabe que as contas públicas costumam guardar segredos que até Deus duvida. Mas o que está acontecendo na Prefeitura de Itapetinga, sob a gestão do prefeito Eduardo Hagge (MDB), ultrapassou a linha da mera desorganização administrativa e entrou direto no radar do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA).
O TCM disparou uma notificação urgente, dando prazo curto para o prefeito se explicar sobre uma bomba: o suposto esquema de salários duplicados na folha de pagamento. E no meio político, quando o assunto é servidor recebendo duas vezes sem justificativa clara, a palavra que imediatamente começa a ecoar nos bastidores é uma velha conhecida do eleitor brasileiro: rachadinha.
De acordo com o que corre nos bastidores e o que foi revelado pelo IDenuncias, tudo indica que essa engenharia financeira bastante suspeita nasceu no berço da Secretaria Municipal de Educação, pasta comandada, hoje, chefiada pelo vice-prefeito Alécio Chaves (PSB).
O modus operandi é digno de atenção: o servidor é contratado inicialmente para um cargo comissionado com um salário modesto, dentro da realidade do município. Porém, como num passe de mágica, o nome do cidadão passa a figurar em duas folhas de pagamento diferentes ao mesmo tempo. O resultado? O salário dá um salto astronômico, multiplicando o valor inicial.
TCM investiga suspeita de servidores recebendo ‘salários duplicados’ na Prefeitura de Itapetinga
A grande e incômoda suspeita que paira sobre a cidade é que essa dinheirama pública toda, inflada artificialmente, pode estar sendo rateada (dividida) entre o servidor e quem o indicou.
Quem está ficando com a maior fatia? Ainda não sabemos, mas o TCM quer descobrir. E o pior: as informações dão conta de que a prática não ficou restrita à Educação. O esquema teria se espalhado por outras secretarias municipais, criando uma rede invisível de favorecimento com o dinheiro do contribuinte.
Para entender o tamanho do absurdo, basta olhar para o caso que virou o símbolo dessa farra: o de Wemerson Maia Santos, comissionado da Educação e aliado direto do vice-prefeito Alécio Chaves (PSB), e atual secretário da Educação. A evolução salarial dele em 2025 desafia qualquer lógica de mercado ou de austeridade fiscal:
Janeiro: R$ 7.500,00 (Salário inicial)
Fevereiro: R$ 8.906,25
Março: R$ 14.062,50
Abril: R$ 12.787,50 (Divididos misteriosamente em duas folhas de R$ 7.500,00 e R$ 5.287,50)
Julho: R$ 17.437,50
Para refletir: Como é que um servidor comissionado, em uma cidade do interior baiano, consegue receber R$ 17.437,50? Esse valor é substancialmente maior do que o salário do próprio Secretário de Educação e do Vice-Prefeito, que ganham pouco mais de R$ 13 mil.
O que leva a Educação de Itapetinga a pagar um salário de R$ 18 mil a um servidor nomeado pelo prefeito?
Enquanto a prefeitura estourava o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, gastando mais de 60% da sua receita com pessoal e sendo forçada a demitir 38 comissionados para tentar conter o rombo de R$ 250 mil mensais, a "elite" dos protegidos políticos continuava engordando suas contas bancárias.
O cruzamento de dados feito pela Diretoria de Controle de Atos de Pessoal (DAP) do TCM com o Tribunal de Contas da União (TCU) faz parte de um pente-fino estadual. Mas o prazo curto imposto a Itapetinga mostra que a situação aqui é grave e pode exigir uma medida cautelar imediata (como suspensão de pagamentos ou afastamentos).
O que o TCM detectou agora, na verdade, pode ser apenas a ponta de um iceberg muito maior e mais profundo. Há quem diga na cidade que esse esquema de folhas duplicadas e acomodação de "padrinhos políticos" é uma engrenagem antiga, que perdura e sobrevive há anos dentro dos poderes municipais, transitando livremente entre os corredores da Prefeitura e as bancadas da Câmara de Vereadores, através de seus gabinetes, já denunciados pelo IDenuncias, e arquivados pelo Ministério Público de Itapetinga, mesmo diante de provas cabais, sob argumento que o site, é anônimo.

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