15 anos sem reajuste: vereadores de Itapetinga sangram assessores para garantir os vales

Enquanto assessores vivem de promessas, parlamentares criam "extras" como vale-combustível, alimentação e turbina diárias de mais de R$ 3 mil por "pulinho" a Salvador.

15 anos sem reajuste: vereadores de Itapetinga sangram assessores para garantir os vales
Vereadores de Itapetinga se beneficiam com veto a reajuste salarial dos próprios assessores parlamentares. 

A Câmara Municipal de Itapetinga descobriu uma fórmula matemática infalível: para que os vereadores não percam suas mordomias, basta… não reajustar o salário dos assessores há 15 anos. Sim, você leu certo. Quinze anos.

Enquanto isso, a máquina legislativa segue funcionando a todo vapor, mas só para dentro. Desde 2023, os parlamentares vêm criando uma espécie de cardápio de benefícios que faria qualquer gestor público responsável corar de vergonha.

Já temos: vale-combustível (para abastecer o carro e a criatividade dos vereadores), vale-alimentação (via verbas de gabinete, claro), e um esquema de diárias que, pasmem, não sai por menos de R$ 3 mil por viagem. Por mês. Para Salvador.

E o melhor: muitos dos ilustres representantes do povo ficam escondidos em casa e fingem que estão viajando.

E tem mais! Eles garantiram, nesse curto período, o direito ao 13º salário e férias. Isso! Para trabalhar, apenas 6 horas semanais, e receberem um salário mensal de quase 14 mil reais.

Como os vereadores de Itapetinga forjaram verba de gabinete para esconder o novo vale-alimentação

Outros fazem o famoso clássico "bate e volta" à capital baiana, com uma paradinha estratégica na Assembleia Legislativa para tirar foto e garantir que "estiveram lá".

A criatividade dos vereadores, no entanto, não para por aí. Para garantir que esses penduricalhos não saiam do próprio bolso, eles descobriram o "caminho das pedras": sangrar os salários dos assessores parlamentares e dos cargos comissionados da Mesa Diretora.

Detalhe: isso é ilegal segundo a legislação federal. Mas, aparentemente, a Câmara de Itapetinga virou uma Corte onde a lei entra por uma porta e sai pela outra, enquanto os vereadores se deleitam com benefícios que só aumentam.

Enquanto os parlamentares de Itapetinga nadam em vales e diárias, os assessores vivem um verdadeiro regime de estagnação. Quando a função foi criada, o salário médio era de quase 5 salários mínimos. Hoje, mal chega a 1,5 salário mínimo.

E a justificativa para a falta de reajuste, ano após ano, é sempre a mesma: "a culpa é do presidente".

O atual presidente da Casa, Neto Ferraz, até tentou. No início de abril, prometer um reajuste de R$ 1.000 nos salários dos assessores. Mas os vereadores vetaram na hora. Preferiram usar o dinheiro para emplacar um novo vale-alimentação para eles mesmos e turbinar o vale-combustível com a verba de gabinete.

E quando os assessores reclamam? Aí vem a cereja do bolo da cara de pau: os vereadores apontam o dedo para o presidente da Câmara. Dizem que o reajuste "é irrelevante", depois de 15 anos sem nada, imagine, e que o problema é com ele.

Neto Ferraz, coitado, fica em silêncio. Afinal, desagradar os vereadores seria desagradar quem o sustenta politicamente. E desagradar os assessores, coitados, nem passa pela cabeça, eles que continuem trabalhando com quase um salário mínimo, já que "em ano de eleição, todo voto é bem-vindo".

Também, existe outro detalhe bastante surreal. Nessa história de rejeição ao aumento de salário dos assessores Parlamentares admitem a existência dos esquemas de assessores laranjas para prática das rachadinhas, ao argumentar que assessores não trabalham, razão, que justifica o não reajustar nos salários. Sacou? São os vereadores admitindo os esquemas no coração do legislativo municipal, já denunciado pelo IDenuncias.

Enquanto isso, em Itapetinga: os assessores seguem esperando. Os vereadores seguem viajando (ou fingindo que viajam). E a promessa de reajuste segue "em banho-maria", igual nos últimos 15 anos.