O que levou empresário a acusar gestão de Eduardo Hagge de cobrança de propina para vencer contrato

Empresário expõe suposto esquema de corrupção, mas não apresenta provas; gestão de Eduardo Hagge (MDB) permanece em silêncio sobre as graves denúncias.

O que levou empresário a acusar gestão de Eduardo Hagge de cobrança de propina para vencer contrato
Empresário de Itapetinga acusa a Prefeitura de Itapetinga de suborno para vencer licitação.

Um vídeo publicado nas redes sociais do empresário Raphael Gonçalves, representante da Ideon Gonçalves de Oliveira Ltda., trouxe à tona uma denúncia gravíssima contra a gestão do prefeito Eduardo Hagge (MDB). Em tom de revolta, na porta da Secretaria de Transporte e Infraestrutura de Itapetinga, o empresário afirmou ter sido vítima de uma tentativa de suborno para vencer um pregão milionário de iluminação pública. A acusação, no entanto, não veio acompanhada de nenhuma prova concreta até o momento.

Segundo Raphael, o pregão 12/2026, que prevê a compra de luminárias para iluminação pública, teria sido direcionado para beneficiar uma empresa de Feira de Santana. Ele alega que sua empresa arrematou o primeiro lote por R$ 1.770.000,00 (Hum milhão e setecentos e setenta mil reais), abaixo do valor mínimo ofertado em licitação pela Prefeitura de Itapetinga de R$ 1.800.000,00, mas foi desclassificada sob alegação de que o produto não estaria conforme o edital. "É mentira! As amostras nem sequer foram pedidas", afirma o empresário.

Empresário Raphael Gonçalves apresenta lance R$ 1.770.500,00 da empresa Ideon abaixo do preço mínimo da Prefeitura de 1.800.000,00 para instalação de lampadas de LED.
Empresário Raphael Gonçalves apresenta lance R$ 1.770.500,00 da empresa Ideon abaixo do preço mínimo da Prefeitura de 1.800.000,00 para instalação de lampadas de LED.

A parte mais explosiva da denúncia envolve um suposto funcionário da Secretaria de Infraestrutura, descrito pelo empresário nos bastidores como o "número 2" da pasta. De acordo com Raphael, esse servidor teria o procurado em seu escritório para fazer duas propostas ilícitas: a primeira, para que a empresa assumisse uma prestação de cerca de R$ 1.400,00 e ajudasse o funcionário a trocar de carro; a segunda, para que a empresa majorasse em 6% o preço de manilhas já fornecidas ao município e repassasse a diferença.

Publicação da Prefeitura de Itapetinga que confirma argumento do empresário de lance mínimo de pregão de R$ 1.836.815,02.
Publicação da Prefeitura de Itapetinga que confirma argumento do empresário de lance mínimo de pregão de R$ 1.836.815,02.

"Depois da negativa, houve a desclassificação", disparou o jovem empresário, que ainda revelou um dado preocupante: a empresa que teria sido beneficiada ficou em sexto lugar na disputa, com uma proposta vencedora de R$ 2.890.000,00 (Dois milhões e oitocentos e noventa mil reais), ou seja, R$ 1.120.000,00 a mais do que a oferta da Ideon. "É o dinheiro do povo indo para fora", criticou, ele.

Empresa de Feira de Santana ganha licitação com soma de R$ 2.890.999,60 com custo de R$ 1,2 milhão acima do preço ofertado pela empresa de Itapetinga, a Ideon Gonçalves de Oliveira Ltda.
Empresa de Feira de Santana ganha licitação com soma de R$ 2.890.999,60 com custo de R$ 1,2 milhão acima do preço ofertado pela empresa de Itapetinga, a Ideon Gonçalves de Oliveira Ltda.  

Promessa de provas em pendrive
Em reserva, Raphael Gonçalves afirma que possui um pendrive com imagens, vídeos e áudios que comprovariam a tentativa de suborno, incluindo uma conversa com o suposto funcionário da pasta de Infraestrutura. Até o fechamento desta reportagem, porém, nenhuma dessas provas foi tornada pública ou apresentada à Justiça, ao Ministério Público ou à imprensa. Sem lastro documental ou testemunhal independente, a denúncia ainda se sustenta apenas na palavra do empresário.

Silêncio ensurdecedor da Prefeitura
O que mais chama a atenção neste caso é a absoluta inação da gestão municipal. Até o momento, o prefeito Eduardo Hagge (MDB) não se manifestou publicamente sobre as acusações. Mais grave: a Procuradoria Jurídica do município também não foi acionada para contra-atacar, desqualificar as alegações ou mover qualquer ação contra o empresário por danos à imagem da administração pública.

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O secretário de Infraestrutura, vereador licenciado Luciano Almeida (MDB), igualmente não deu explicações consistentes sobre os fatos. Nem ele nem a gestão municipal adotaram uma postura de defesa ativa, o que levanta dúvidas: seria omissão, cumplicidade ou simples despreparo para lidar com uma denúncia de tamanha gravidade?

O silêncio ensurdecedor da prefeitura, diante de uma acusação de corrupção divulgada em rede social, é tão preocupante quanto a própria denúncia. Ao não reagir, a gestão Eduardo Hagge deixa a população sem resposta e dá margem para que a dúvida e a desconfiança se instalem ainda mais na cidade.

Empresário faz apelo político
No fim do vídeo, Raphael Gonçalves fez um apelo direto ao eleitor de Itapetinga: "Não esqueça: 2026 é ano de eleição. Será que vale a pena votar em candidato a deputado e prefeito que persegue comerciante local e tira dinheiro da cidade para empresa de fora?"

A fala, embora legitime o tom de indignação, também revela um viés político na denúncia. Ainda assim, o papel do jornalismo é investigar os fatos, não os interesses de quem os denúncia.

O que se espera agora?
Itapetinga precisa de respostas. Se o empresário tem provas, que as apresente imediatamente ao Ministério Público e à Justiça. Se a denúncia for falsa, que a prefeitura se defenda com transparência e tome as medidas legais cabíveis. O que não pode acontecer é o silêncio. Nem a impunidade. Nem a omissão.

O caso segue em aberto, assim como o pendrive prometido por Raphael Gonçalves. Até lá, pesa contra ele a falta de provas. Contra a gestão Eduardo Hagge, pesa a ausência de qualquer reação oficial.