Enquanto prefeito e secretária culpam herança política que eles mesmos ajudaram a criar, filas na Central de Marcação viram "via crucis" e hospital municipal corre risco de fechar as portas.
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| Saúde pública de Itapetinga sofre com má gestão motivada por falta de pagamentos aos profissionais da saúde. |
Quem anda pelas ruas de Itapetinga e precisa do Sistema Único de Saúde (SUS) já percebeu que a propaganda oficial não bate com a realidade do balcão. Enquanto os discursos da gestão municipal insistem em termos bonitos como "austeridade administrativa" e "equilíbrio fiscal", a verdade nua e crua bate à porta da população mais carente de forma cruel.
A saúde de Itapetinga caminha a passos largos para o colapso, em doses homeopáticas de descaso, sob o olhar complacente do prefeito Eduardo Hagge (MDB) e de sua secretária de saúde, Millena Orrico.
O sintoma mais grave dessa paralisia gerencial é o desrespeito com quem faz a engrenagem funcionar.
Relatos de atrasos nos salários em especial o dos médicos tornaram-se rotina nos bastidores da rede pública. Sem receber em dia, os profissionais se veem desmotivados, e o reflexo dessa insatisfação é imediato nos postos de saúde dos bairros, na UPA e no hospital municipal.
Por conta disso, os postos de saúde reduziram drasticamente os atendimentos médicos. Em alguns casos, a população chega de madrugada para conseguir uma consulta e volta para casa com as mãos vazias.
Para piorar o cenário, até o funcionamento do único hospital municipal de maternidade da cidade que deveria ser o porto seguro das mães itapetinguenses, está seriamente ameaçado de fechar as portas por enrosco com a justiça, e por falta de pagamentos a anestesistas, esses, essências na hora do parto.
Para o cidadão comum que depende do município, a jornada em busca de socorro começa na Central de Marcação de Exames (CDM). O local, infelizmente, virou o cenário de uma verdadeira via crucis.
Conseguir o agendamento de uma consulta especializada ou de um procedimento virou artigo de luxo na cidade.
Partos particulares a R$ 7 mil no HCR escancaram crise na maternidade do Hospital Virginia Hagge
A longa e interminável fila de espera, que antes já sufocava os exames de alta complexidade e alto custo, agora avançou como uma doença e já afeta até os exames laboratoriais mais simples. Quem tem condições financeiras corre para a rede particular; quem não tem, assiste ao agravamento da própria saúde em praça pública.
Como desgraça pouca é boa viagem, o apagão da gestão chegou com força às prateleiras das farmácias públicas. Dados do próprio município revelam uma meta frustrada: a prefeitura prometia manter um estoque regular de 95% de medicamentos essenciais de sua cesta básica medical.
Contudo, o que entregou na prática foi um vergonhoso índice de 75% de desabastecimento regular. Falta o básico para quem mais precisa de remédio gratuito. Isso, com base nas informações extraídas do Portal da Transparência da própria Prefeitura.
Uma média de R$ 4,3 milhões por mês entra nos cofres da saúde de Itapetinga para custear desde o salário dos profissionais, manutenção de Postos de Saúde (UBS), CAPS, UPA 24h, Hospital até a compra de remédios e exames.
Diante desse cenário caótico, qual é a resposta do prefeito Eduardo Hagge e da secretária Millena Orrico? A mesma ladainha de sempre. Já se passaram um ano e seis meses de mandato, e a dupla continua utilizando a velha muleta política de colocar a culpa nas dívidas deixadas pela gestão do antecessor, Rodrigo Hagge (PSDB).
Essa desculpa, além de ter passado da data de validade, esbarra em um detalhe que a memória do povo não apaga: todos pertencem ao mesmo grupo político e ao mesmo partido (MDB). O argumento cansou, perdeu o sentido e não enche a prateleira da farmácia popular, tampouco paga o salário do médico plantonista.
O diagnóstico de Itapetinga hoje é de uma gritante falta de prioridade. Recursos financeiros existem, pois milhões entram mensalmente no Fundo Municipal de Saúde através de repasses federais e impostos locais. O problema real não é a falta de dinheiro, mas sim a falta de gestão, de sensibilidade humana e de competência.
Fingir que o colapso não está batendo à porta não vai fazer a crise desaparecer. A população está irritada, exausta e cobrando o preço de uma saúde que adoece um pouco mais a cada dia.

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