Entre o derretimento do bolsonarismo e as trapalhadas do "Tiozão", o tabuleiro político de Itapetinga ganha contornos de drama (e comédia) eleitoral em mais uma pesquisa interna.
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| Pesquisa interna aponta amplo favoritismo de Lula em Itapetinga. |
Se você achou que o inverno baiano estava frio, é porque não olhou o termômetro político de Itapetinga. O mais recente levantamento interno feito por telefone entre os dias 15 e 16 de julho, mostra que, embora as peças do xadrez continuem meio estacionadas, o jogo está longe de ser pacífico. Tem candidato rindo à toa, tem gente sentindo o pescoço queimar e, claro, tem quem preferiu dar um tiro no próprio pé.
Vamos aos fatos, com aquela pitada de realidade que a política local exige.
Quem te viu, quem te vê, Itapetinga. A cidade que em 2018 vestiu o manto verde e amarelo e deu vitória a Jair Bolsonaro, agora parece estar sofrendo um "degelo" bolsonarista daqueles.
No cenário para a presidência, Lula (PT) não está apenas liderando; ele está passando como um trator por cima de Flávio Bolsonaro (PL). O petista ampliou a vantagem e já abocanha impressionantes 7,6 em cada 10 eleitores da cidade em possíveis votos válidos. Se isso não é um derretimento do bolsonarismo local, eu já não sei mais o que é.
Mas nem tudo são flores e calmaria no jardim do PT. Se Lula navega em águas ultra-tranquilas, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) está tendo que nadar contra a correnteza. Ele lidera, é verdade, mas com uma margem apertada de apenas 3% sobre ACM Neto (União Brasil) em Itapetinga. Ou seja: Neto está ali, colado, fazendo Jerônimo sentir o "bafo" da oposição no cangote, dentro da margem de erro.
Ao convidar Cida Moura, Jerônimo reduz peso de Eduardo Hagge na briga contra ACM Neto
Já para o Senado, o eleitor de Itapetinga mandou avisar que não liga muito para polêmicas. Mesmo citado no "caso Master", Jaques Wagner (PT) segue firme e forte na segunda preferência dos eleitores para as duas vagas em disputa. A liderança isolada fica com o também ex-governador Rui Costa (PT). Enquanto isso, João Roma (PL), o nome apoiado por Neto e Flávio Bolsonaro, amarga um terceiro lugar ameno à concorrência contra dois ex-governadores de peso pesado, sendo demais para as pernas de Roma.
Agora, se tem alguém que vai dormir sorrindo hoje, esse alguém é o deputado federal Antônio Brito (PSD) e o ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB). Na corrida para o Legislativo, a dupla simplesmente arranca na preferência do eleitorado, com Rodrigo demonstrando uma força avassaladora para a Assembleia Legislativa.
E é aqui que a política local ganha contornos de novela das 9.
Se o cenário se mantiver assim, a situação do atual prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB) apelidado de "Tiozão", vai azedar de vez. Numa manobra que até os deuses da estratégia duvidam, o Tiozão resolveu dar um "gelo" no próprio sobrinho (Rodrigo) para apoiar Carlinho Sobral (MDB), ex-prefeito de uma pequena cidade do agreste. Para piorar o combo, Eduardo ainda resolveu abraçar a candidatura de Jayme Vieira Lima (MDB) para a Câmara Federal, sim, daquela ala da família Vieira Lima que dispensa apresentações nos tribunais e nos presídios.
Pesquisa: virada de Jerônimo e frente de Lula em Itapetinga derruba mito de cidade anti-PT
O Tiozão trocou a prata da casa por apostas de risco, e agora assiste o sobrinho liderar de braços cruzados.
Vale lembrar que isso é apenas uma fotografia do momento. A campanha de verdade só começa no dia 16 de agosto. Tem muita água para rolar debaixo dessa ponte e muita lenha para queimar. Mas, hoje, o asfalto é de Lula, Brito e Rodrigo, enquanto a oposição vai ter que gastar muita sola de sapato para correr atrás do prejuízo.
É vida que segue...

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