‘Estamos sob cerco’: gabirabas trocam alerta no privado do WhatsApp contra ações do Tiozão

A "Gestapo de Itapetinga": O Big Brother municipal que transformou o sobrenome Hagge em caso de demissão por justa causa.

‘Estamos sob cerco’: gabirabas trocam alerta no privado do WhatsApp contra ações do Tiozão
Mensagem trocadas entre seguidores gabirabas, em plena guerra no Clã Hagge.

Quem diria que a outrora inabalável muralha gabiraba, uma dinastia com mais de 40 anos de estrada em Itapetinga viraria cenário de filme de espionagem de quinta categoria? A exatos 92 dias para o pleito de 4 de outubro, o clima na Prefeitura não é de contagem regressiva para a festa da democracia, mas sim de "salve-se quem puder".

Mensagens trocadas em privados do WhatsApp, no qual essa coluna teve acesso revelam o pânico dos últimos remanescentes do falecido Michel Hagge. O teor dos textos? Um dramático aviso de sobrevivência: 

“Estamos sob cerco de Eduardo, não fiquem próximos de Rodrigo, ou vão perder o emprego. Alerte os outros”.

Que drama, meus caros! Que reviravolta digna de novela.

Exterminador de Gabirabas: o futuro sombrio do clã Hagge 

A política tem dessas ironias que fazem o estômago do eleitor revirar. O atual prefeito, Eduardo Hagge/MDB (o "Tiozão"), resolveu romper com o sobrinho e ex-prefeito, Rodrigo Hagge (PSDB). Até aí, brigas de família acontecem até nas melhores. O requinte de crueldade é que, para vigiar os próprios aliados históricos que o colocaram na cadeira, a gestão teria montado uma espécie de "serviço secreto" terceirizado.

E quem são os espiões? Segundo mensagens trocadas com outros gabirabas, pessoas que até ontem eram da oposição ferrenha e apoiavam a candidatura de Cida Moura (PSD). É isso mesmo: quem xingava a candidatura do ‘Tiozão’, ontem, hoje ganha cargo para vigiar se o indicado do prefeito deu um "bom dia" caloroso demais para o ex-prefeito Rodrigo.

No comando dessa operação digna de regimes totalitários do século passado, desponta a secretária de Administração, Cristiane Coelho. Relatos de bastidores a apontam como a verdadeira executora do plano do Tiozão, operando com o rigor de uma "Gestapo municipal".

Gestapo? Gabirabas relatam temor por espiões do prefeito após retorno à Prefeitura 

Se você acha que a perseguição se restringe apenas aos cargos de confiança, subestimou o poder do rancor político. A caça às bruxas atingiu o funcionalismo público de carreira. Servidores concursados protegidos pela lei, mas não pelo bom senso da gestão estão sendo remanejados como peças de xadrez para escanteios burocráticos.

O prejuízo não é só moral, é no bolso: Remanejamentos arbitrários para secretarias isoladas e corte severo de gratificações e benefícios conquistados a duras penas em gestões passadas (inclusive na de Rodrigo), além da perseguição que respinga até em aliados de vereadores do prefeito, mas que ousaram discordar do "Chefe".

Hoje, em Itapetinga, pronunciar ou se aproximar de "Rodrigo Hagge" virou o equivalente a ativar um dispositivo de autodestruição profissional. O medo é tamanho que aliados do ex-prefeito já emitiu o manual de etiqueta da sobrevivência política. O conselho para os gabirabas desesperados é quase poético de tão humilhante:

“Se você passar por Rodrigo e não falar, ele vai entender. Não se preocupe”.

Olha o ponto a que chegamos. O cidadão precisa fingir que o neto do líder político de quatro décadas é um fantasma ou um completo estranho na rua para garantir o pão de cada dia.

Aos aflitos funcionários, resta o consolo dos aliados: o tempo voa, faltam pouco mais de dois anos para o atual mandato do Tiozão acabar. Até lá, a ordem é andar de cabeça baixa, olhar para os lados e rezar para que o "fiscal de lealdade" da esquina não tenha visto você curtir nenhuma foto no Instagram do sobrinho.

Que tempos, Itapetinga, que tempos!