Com medo de uma surra eleitoral imposta pelo sobrinho Rodrigo Hagge, base governista correu para eleger Tiquinho, mas anulação judicial vai deixar Eduardo Hagge sem forças para o 'segundo round'.
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| Prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB), na abertura dos trabalhos na Câmara de Vereadores. |
Na política de Itapetinga, o instinto de sobrevivência é uma arte refinada. A aparente "unanimidade" de 14 votos que elegeu Tiquinho Nogueira (PSD) para a presidência da Câmara Municipal em 25 de junho não foi um ato de pacificação, mas sim um clássico movimento de pânico generalizado. Os vereadores da base governista sentiram o cheiro da fumaça, olharam para o calendário eleitoral de outubro e decidiram que era hora de correr com as trancas antes que a porta fosse arrombada.
O plano parecia genial: carimbar a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028 com muita antecedência, garantindo o controle do Legislativo enquanto o prefeito Eduardo Hagge (MDB) ainda tem alguma moeda de troca. O problema é que o plano era tão apressado que esqueceu de combinar com a lei.
Ao antecipar o pleito, a Câmara ignorou a jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal, que exige a chamada "contemporaneidade" ou seja, eleições internas só coladas próximo ao início do mandato. Nesse caso, três meses antes de assume o mandato de nova mesa diretora.
Entenda como a Justiça deve anular eleição da Câmara de Itapetinga que elegeu Tiquinho
Traduzindo: a Justiça vai derrubar essa eleição a qualquer momento. E é aí que o pesadelo do prefeito Eduardo Hagge recomeça, justamente no cenário que seus aliados mais tentaram evitar.
Por que tanta pressa em votar em junho? A resposta está na dramática divisão da família Hagge da política itapetinguense. O prefeito Eduardo Hagge caminha para as eleições gerais apoiando seus candidatos a deputado federal e estadual. Do outro lado da trincheira, com sangue nos olhos e sede de vingança pela traição, está o seu próprio sobrinho e ex-prefeito, Rodrigo Hagge (PSDB).
Rodrigo não está para brincadeira: montou uma dobradinha pesadíssima com o influente deputado federal Antônio Brito (PSD) e concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Nos bastidores, o diagnóstico é quase um consenso: a dupla Rodrigo e Antônio Brito prepara uma lavagem de votos acachapante dentro de Itapetinga, desenhando uma derrota vexatória para os candidatos do prefeito.
Se as urnas de outubro se abrirem confirmando o favoritismo do sobrinho rebelde, a Prefeitura do Tiozão vai amanhecer menor. O prefeito Eduardo Hagge perderá o oxigênio político.
Sabendo que o castelo de cartas pode desmoronar após o pleito geral, os vereadores governistas tentaram blindar Tiquinho Nogueira antes da tempestade. Afinal, fazer essa eleição com o prefeito fragilizado e desidratado seria um risco alto demais.
Com a provável e iminente anulação da eleição interna pelo Judiciário, a Câmara será obrigada a realizar um novo pleito. E se seguirem o bom senso jurídico, essa nova votação só ocorrerá após a eleição geral, com a poeira das urnas já assentada.
Se o pleito legislativo for realizado antes da eleição geral, em 1º de outubro, os vereadores governistas poderão sofrer outra derrota na Justiça, em razão da chamada “contemporaneidade”, citada pelo ministro Flávio Dino, do STF que nada mais é do que um mecanismo para barrar a conveniência política na conquista do poder.
Temor das urnas e o fantasma do STF: Tiquinho leva a presidência da Câmara de Itapetinga, mas vitória o assombra
É nesse cenário pós-outubro que a vaca de Eduardo Hagge corre o risco de ir para o brejo.
Vereador sente cheiro de poder a quilômetros de distância. Diante de um prefeito derrotado e enfraquecido, a base aliada tende a debandar a galope.
O fator Rodrigo Hagge deve emergir das urnas como a maior força política de oposição na cidade e com os olhos já fixados na sucessão municipal de 2028, Rodrigo passará a ditar as cartas após o pleito.
E é daí, que começa o sumiço dos 14 votos. Quem garante que Eduardo Hagge terá força política, cargos ou prestígio para indicar o presidente da Câmara de novo? Os mesmos 14 que ergueram a mão para Tiquinho em junho podem, sem o menor pudor, virar as costas para o prefeito a partir de novembro.
A tentativa de passar a carroça na frente dos bois para salvar o pescoço do governo municipal acabou gerando uma armadilha perfeita. O prefeito Eduardo Hagge agora reza para a Justiça demorar a dar a sentença, porque se tiver que reeleger Tiquinho Nogueira sob a sombra da vitória do sobrinho, ele descobrirá da pior maneira que, na política, o poder é igual a sorvete no sol de Itapetinga: derrete rápido demais.
É vida que segue...

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