Nova pesquisa aponta fatores como gratidão do eleitorado e Lula, que impulsionam crescimento do governador Jerônimo Rodrigues em Itapetinga ao distanciar de ACM Neto.
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| Governador da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT) em visita a Itapetinga na Exposição Agropecuária. |
Quem ainda diz que Itapetinga é reduto antipetista ou território bolsonarista precisa rever o mapa político da Bahia. Uma pesquisa de início de junho derrubou narrativas da direita e direita bolsonarista na cidade.
O retrato agora é outro: o presidente Lula (PT) ultrapassou os 70% de preferência entre os eleitores itapetinguenses. Mais de sete em cada dez eleitores já decidiram voto no petista. E esse fenômeno, puxado por Lula, tem reflexo direto no palanque estadual: o governador Jerônimo Rodrigues (PT) está virando o jogo em Itapetinga.
Até pouco tempo, Jerônimo aparecia numericamente atrás de ACM Neto (União Brasil). O ex-prefeito de Salvador, que teve mais de 60% dos votos válidos na cidade em 2022, começou na frente. Houve um empate técnico recentemente, mas os últimos levantamentos mostram virada consistente: Jerônimo agora começa a se distanciar de ACM Neto, e a cada rodada essa vantagem aumenta.
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O grande termômetro dessa mudança é Lula. Pesquisas anteriores já projetavam 7 por 3 para o presidente em Itapetinga de cada 10 eleitores, sete para Lula e três para o adversário. Esse número se confirmou e se ampliou. Hoje, não é mais projeção, é realidade de urna antecipada. O crescimento de Lula na cidade ajuda a explicar, como efeito dominó, o crescimento de Jerônimo.
A sondagem pegou o eleitorado num momento explosivo da política nacional. Dois episódios pesaram contra o bolsonarismo: o flagra de Flávio Bolsonaro (PL) pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, figura marcada por fraudes no sistema financeiro, para bancar um filme sobre o pai; e a taxação anunciada por Donald Trump contra o Brasil, logo após visita de Flávio à Casa Branca. O eleitor itapetinguense entendeu como um desserviço. Resultado: a rejeição ao clã Bolsonaro cresceu, e Lula nadou de braçada nesse mar.
O crescimento de Lula em Itapetinga não beneficia apenas o governador. Ele impulsiona toda a chapa petista. Para o Senado, Rui Costa (PT) lidera com folga, seguido por Jaques Wagner (PT). O bolsonarista João Roma (PL), que já foi o segundo na preferência local, sofreu forte queda e hoje aparece distante de Wagner. Queda livre, sem reação.
Mas nem tudo é Lula. Há um fator local: o eleitor de Itapetinga tem memória. Lembra das obras que deve mudar a vida da cidade a construção de uma clínica e de um hospital regional pelo governador Jerônimo. É o fator gratidão, surfado também pelo ex-governador Paulo Souto (União Brasil) em Itapetinga.
Há um tabu nos bastidores: até que ponto o cenário nacional influencia o voto? Esta pesquisa responde: influencia, sim. Mas o fator local também pesa, e pesa a favor do petista.
Outro dado crucial: em 2022, ACM Neto teve mais de 60% em Itapetinga, uma avalanche. Mas ele contava com a máquina municipal. Na época, o prefeito era Rodrigo Hagge (hoje PSDB), e a prefeitura trabalhava a favor de Neto. Hoje, o cenário mudou. O prefeito é Eduardo Hagge (MDB), que deve apoiar os petistas. Ou seja: ACM Neto terá que conquistar voto sem o grosso da estrutura municipal. Missão difícil, quase impossível de repetir o sucesso anterior.
Itapetinga não é mais o que diziam. Não é antipetista, nem bolsonarista, nem território hostil a Lula. É uma cidade que premia quem faz obra, castiga quem vive de narrativa e responde ao que acontece no país.
Jerônimo cresce porque Lula cresce, mas também porque o eleitor lembra de hospital, clínica e gestão federal em eras petistas, e porque ACM Neto perdeu o colchão da prefeitura.
Quem duvidar, que olhe o sentimento nas ruas e espere outubro para ver a confirmação nas urnas.

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