TCM investiga cabide de empregos com 1.829 contratações na Prefeitura de Itapetinga

Tribunal de Contas aponta graves indícios de irregularidade no primeiro trimestre de 2026; prefeito Eduardo Hagge ignorou primeiros prazos de defesa e agora tem 20 dias para se explicar.

TCM investiga cabide de empregos com 1.829 contratações na Prefeitura de Itapetinga
TCM da Bahia dá prazo para prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB) eliminar as contratações irregulares.

Uma bomba relógio explodiu nos bastidores da Prefeitura de Itapetinga. O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM) acendeu o sinal vermelho máximo para a gestão do prefeito Eduardo Hagge (MDB). O motivo? A descoberta de um verdadeiro "cabide de empregos" inflado em tempo recorde: nada menos que 1.829 contratações temporárias realizadas apenas no primeiro trimestre de 2026, sem a realização de nenhum concurso, processo seletivo simplificado ou chamamento público.

A denúncia partiu da Diretoria de Controle de Atos de Pessoal (DAP) do TCM, que rastreou o montante de contratações suspeitas por meio do sistema de auditoria integrada. Para a área técnica, a prefeitura de Itapetinga atropelou a Constituição Federal e os princípios básicos da administração pública, como a impessoalidade e a moralidade, abrindo margem para escolhas puramente subjetivas e favorecimentos políticos.

O caso ganha contornos ainda mais graves diante da postura do gestor municipal. Notificado oficialmente via Edital e Ofício, com confirmação de leitura registrada no dia 20 de maio de 2026, o prefeito Eduardo Hagge simplesmente ignorou o Tribunal e deixou vencer o prazo de 5 dias sem apresentar uma única linha de justificativa ou defesa.

Diante do silêncio do prefeito e do volume absurdo de contratações sem critério transparente, a diretoria técnica do TCM exigiu uma medida cautelar de urgência para suspender imediatamente todos os contratos e proibir novas admissões.

Em decisão monocrática publicada no Diário Oficial, a conselheira e relatora do processo, Aline Fernanda Almeida Peixoto, concordou que os indícios de irregularidade são gravíssimos e que o número expressivo de funcionários sem seleção exige um exame minucioso.

No entanto, em uma demonstração de prudência para com o cidadão de Itapetinga, a relatora negou a suspensão imediata dos contratos. O motivo é simples: demitir mais de 1.800 pessoas de uma hora para outra, sem um plano de transição, causaria um apagão nos serviços públicos essenciais da cidade.

"A suspensão abrupta de mais de 1.800 vínculos temporários poderia, paradoxalmente, causar prejuízo imediato e grave à coletividade, desorganizando a administração municipal e comprometendo serviços como saúde, educação, limpeza urbana e segurança", ponderou a conselheira.

O silêncio do prefeito Eduardo Hagge não vai travar o avanço do Tribunal de Contas. Embora tenha escapado da suspensão imediata para evitar o caos na cidade, o gestor agora está encurralado contra a parede.

Rachadinhas? O ‘pente-fino’ do TCM nas duplas folhas de pagamentos do prefeito Eduardo Hagge

O TCM abriu um novo e rigoroso prazo de 20 dias corridos para que o prefeito apresente, de forma individualizada, a justificativa de cada um dos 1.829 contratos. Ele terá que provar a existência de lei municipal que autorize as contratações, demonstrar a real necessidade temporária de interesse público, detalhar as funções exercidas, os prazos contratuais e, principalmente, quais foram os critérios "mágicos" utilizados para recrutar tanta gente sem um processo seletivo público.

Se as justificativas não forem aceitas, o prefeito Eduardo Hagge poderá responder por improbidade administrativa e severas sanções financeiras.