Sem o seu grande motor regional, o ex-prefeito de Itapetinga, a oposição vê o projeto estadual capotar na região da pecuária, assistindo o governador petista faturar sozinho.
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| Ex-prefeito de Itapetinga, Rodrigo Hagge (PSDB), desiste de candidatura a estadual. |
Bem, voltemos os olhos para o epicentro das turbulências políticas na região de Itapetinga. Se a desistência de Rodrigo Hagge (PSDB) da disputa à Assembleia Legislativa já causou um estrago sísmico no próprio grupo familiar, o maior dano colateral dessa novela recai sobre os ombros de ACM Neto (União).
Afinal, a matemática eleitoral é implacável: com a retirada de Rodrigo do páreo a deputado estadual, ACM Neto perde o seu principal carro-chefe, o motor de tração e o palanque estratégico que sustentaria a oposição em toda a região de Itapetinga.
Nos planos traçados nos bastidores da oposição baiana, a candidatura de Rodrigo Hagge funcionaria como a âncora de ACM Neto na região de Itapetinga e nos municípios vizinhos. Havia a expectativa de uma disputa acirrada, um verdadeiro empate técnico nas pesquisas internas contra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
2º suplente de senador, é um desculpa aí... de Rodrigo Hagge que deixa ‘Gabirabas’ como baratas tontas
Contudo, a manobra de Rodrigo, que trocou a cabeça de urna estadual por uma vaga fria de segunda suplência ao Senado na chapa de João Roma (PL) implodiu essa engrenagem.
Sem o "carro-chefe", e sem uma candidatura a deputado estadual forte e local puxando os votos na região, o palanque de ACM Neto perde ritmo, e que levará a tropa pró-Rodrigo a desmotivação. Os tradicionais aliados, os "gabirabas", viram-se órfãos de um líder de peso na disputa. Sem um chefe de tribo na cabeça de chapa, o grupo tende a perder o ânimo para ir às ruas pedir votos para a majoritária oposicionista.
E é daí que vem o risco de isolamento de João Roma: na própria cidade natal de Rodrigo, o candidato ao Senado pelo PL sequer tem o impulso necessário para decolar, esmagado pela força dos nomes petistas de Rui Costa e Jaques Wagner na região.
Enquanto ACM Neto amarga o prejuízo de perder sua principal vitrine no sudoeste itapetinguense, o governador Jerônimo Rodrigues e o bloco governista que jamais viram uma vitória em Itapetinga assistem ao cenário ideal cair no colo de graça.
Para piorar a situação da oposição, o atual prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB), tio e desafeto político de Rodrigo, selou o apoio à chapa petista na cidade. Com o clã rachado e a oposição sem liderança de massa nas urnas, o caminho ficou livre para consolidar a força dos petistas na região, empurrando o projeto de ACM Neto para o escanteio.
No fim das contas, a aposta de Rodrigo Hagge deixou a oposição a ver navios. E para ACM Neto, fica a lição amarga dos bastidores: em eleição majoritária e polarizada, perder o palanque regional é o mesmo que entrar em campo sabendo que o jogo já está perdido.
É vida que segue...

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