Fogo amigo na saúde: Quando a política atropela a fila da regulação em Itapetinga, que esconde o verdadeiro responsável pela transferência de pacientes.
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| Aliados do prefeito Eduardo Hagge (MDB), organizaram protesto frente ao Hospital Cristo Redentor cobrando regulação de jovem paciente, mas o verdadeiro alvo era deputado adversário. |
Sabe aquela velha história de que "o tiro pode sair pela culatra"? Pois é, a política de Itapetinga acabou de nos presentear com uma aula prática de como um cálculo eleitoral mal feito pode virar uma verdadeira dor de cabeça na mesa do próprio Palácio de Ondina.
Vamos aos fatos, porque o enredo é daquele tipo que faz a gente coçar a cabeça e pensar: onde estava a assessoria estratégica dessa turma?
Tudo começou na segunda quinzena de julho, na porta do Hospital Cristo Redentor (HCR), gerido pela Fundação José Silveira (FJS). Houve um protesto puxado por aliados da base do prefeito Eduardo Hagge (MDB). O motivo? A angústia de um jovem e seus familiares que precisava de uma regulação de urgência para realizar uma cirurgia em Salvador. Dor humana é assunto sério e não pode ser banalizada, ponto final.
O problema é que a legítima cobrança pela vida do rapaz rapidamente ganhou contornos de superprodução político-eleitoral e despertando na comunidade a responsabilidade pela Regulação de pacientes na Bahia.
Com direito a carro de som, gritos de "hospital da morte" e xingamentos gratuitos aos profissionais de saúde, o alvo do protesto mudou de endereço no meio do caminho. O gargalo real do problema a demora no sistema estadual de regulação, que é controlado exclusivamente pela Secretaria Estadual de Saúde (SESAB), comandada pelo governo do Estado convenientemente sumiu do discurso. O espantalho da vez passou a ser o deputado federal Antônio Brito (PSD), figura política historicamente governista e ligada à fundação hospitalar e principal rival político do grupo do prefeito na cidade.
A matemática dos organizadores parecia simples no papel: usar a dor do paciente para desgastar a imagem de Antônio Brito, que desponta como forte concorrente no cenário político local e potencial rival dos aliados do prefeito Eduardo Hagge (MDB). Ocorre que a turma esqueceu um pequeno detalhe geográfico e institucional: a regulação de vagas não é culpa do hospital, nem da fundação, mas sim do governo estadual.
E aqui entra o xadrez da confusão.
Quem comanda o governo do Estado é Jerônimo Rodrigues (PT). Curiosamente, é bota curiosidade nisso, o prefeito Eduardo Hagge e seus aliados caminham alinhados politicamente com o Palácio de Ondina. Ou seja: ao tentarem atirar em Antônio Brito culpando a fundação por um atraso que é de responsabilidade do Estado, os aliados do prefeito acabaram, na prática, disparando contra a gestão do próprio governador Jerônimo. É o famoso atirar no próprio pé com fuzil emprestado.
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Nos bastidores, a direção da Fundação José Silveira adotou a tática do silêncio estratégico: orientou a equipe a não reagir e deixar o grupo do prefeito falar sozinho, para não desgastar Jerônimo. Sabia que, quanto mais os aliados de Eduardo Hagge batiam no sistema de regulação para tentar queimar Antônio Brito, mais escancaravam o caos e a ineficiência da própria máquina de saúde do governo estadual.
O resultado chegou rápido aos ouvidos dos governistas em Salvador sobre o fogo amigo em Itapetinga. Ao final, o jovem conseguiu sua vaga, o protesto murchou, mas a ressaca continua até hoje, nos grupos de WhatsApp da cidade com aliados do prefeito, direto e indiretamente em folha de pagamentos da Prefeitura insistindo nos ataques ao HCR e na tentativa de tapar o sol com a peneira da responsabilidade do governador no gargalo das regulações, duas semanas após o protesto.
A pergunta que fica para os próximos capítulos é inevitável: como é que os aliados do prefeito vão pedir votos para o governador Jerônimo Rodrigues nesta eleição enquanto continuam queimando a gestão da saúde estadual nas ruas de Itapetinga? No jogo político, tentar passar a rasteira no adversário exige cuidado para não cair no próprio buraco. No fim das contas, a política rasteira quase atropelou a vida humana, mas acabou acertando em cheio o alvo errado. Ou melhor, o aliado certo.

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