O "alívio" que durou pouco na Prefeitura do Tiozão, e a sombra do sobrenome Hagge na disputa familiar em Itapetinga.
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| Ex-prefeito de Itapetinga Rodrigo Hagge (PSDB) e o deputado federal Antonio Brito (PSD). |
Era para ser uma festa. Quando o ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB) anunciou que largava a corrida para deputado estadual para ser apenas o "reserva" de João Roma (PL) no Senado Federal, os aliados do prefeito Eduardo Hagge (seu tio, diga-se) soltaram aquele suspiro profundo de alívio. A sensação era de que a temida surra nas urnas em Itapetinga tinha sido adiada.
Mas, como na boa e velha política baiana, o alívio tem prazo de validade. E, pelo visto, venceu antes do esperado.
Pois mal o eco da desistência de Rodrigo se dissipou, veio a bomba: o ex-prefeito não só permaneceu firme e forte com o deputado federal Antônio Brito (PSD), como resolveu abraçar a candidatura a deputado estadual do advogado Wagner Alves (União Brasil), marido da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos.
Pronto. A festa do "Tiozão" na Prefeitura de Itapetinga virou um velório silencioso.
O que era para ser um xadrez genial a retirada de Rodrigo para enfraquecer o grupo de Brito transformou-se num xeque-mate doloroso. A dupla Rodrigo-Brito, que já unia a força dos "gabirabas" (herdeiros do saudoso Michel Hagge) com o grupo consolidado de Brito, agora ganha um reforço de Wagner Alves, que chega com nome novo, mas com a máquina de Conquista por trás.
Enquanto isso, no campo do prefeito, a coisa desanda.
O candidato estadual do Tiozão, o ex-prefeito de Coronel João Sá Carlinhos Sobral (MDB), deve estar se sentindo um pouco solitário. De uma base aliada que parecia sólida, restaram apenas dois vereadores e o prefeito Eduardo dispostos a pedir votos para ele. Dois. É pouco, muito pouco, para quem quer fazer bonito numa cidade como Itapetinga. A fragmentação dos aliados da Prefeitura é tanta que parece até mutirão de candidaturas: cada um puxa para seu lado, e Sobral fica no meio, tentando se equilibrar.
E se a situação de Sobral já era delicada, a do federal Jayme Vieira Lima (MDB), o federal de Eduardo, é um verdadeiro pesadelo de marketing político. Ele tem um problema chamado sobrenome. Primo dos notórios Geddel e Lúcio Vieira Lima, Jayme vê as redes sociais se transformarem em um campo minado.
Os aliados de Brito não perdem tempo: postam fotos com malas de dinheiro (aquelas mesmas que levaram Geddel para os presídios da Papuda e para a Mata Escura) e fazem a alegria dos opositores. Resultado: poucos na cidade querem andar com o candidato por medo do "cheiro" da herança familiar.
É a velha máxima: na política, parente também é questão de segurança pública.
Como a eleição de 2026 já definiu os adversários a prefeito de 2028 em Itapetinga
Do outro lado, a maquinaria de Antônio Brito funciona com a precisão de um relógio. Com o apoio declarado de 10 dos 15 vereadores da Câmara de Itapetinga, ele agora incorpora a legião de Rodrigo Hagge. O resultado é um blocão político que não só assusta para 2026, mas já desenha o cenário de 2028, quando Rodrigo Hagge deve ser o grande adversário do tio Eduardo na disputa pela Prefeitura.
É o "destrono" familiar sendo ensaiado com requintes de crueldade política.
No fim das contas, o que parecia um recuo estratégico de Rodrigo mostrou-se um movimento de mestre. Ele não saiu do jogo; apenas mudou de tabuleiro. E, de quebra, deixou o tio com a pulga atrás da orelha, um candidato a federal queimado pelo parentesco e um estadual que precisa fazer milagre com dois vereadores e uma prefeitura que não empolga, há não ser os que ocupam cargos na gestão de Eduardo.
A política em Itapetinga nunca foi um mar de rosas, mas agora virou um verdadeiro campo de batalha onde o sobrenome Hagge pesa, o sobrenome Vieira Lima atrapalha, e o futuro, para o prefeito, parece um caminho cheio de armadilhas. A festa acabou. E a ressaca, pelo visto, vai durar até 2028.
É vida que segue...

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