Nota oficial da liga amadora expõe crise financeira, pede socorro a órgãos públicos e reacende fantasma do WO em 2024; orçamento de 2026 da Prefeitura prevê apenas R$ 8,5 mil por mês para eventos esportivos.
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| Treino da seleção de Itapetinga no gramado do estádio ACM, o Primaverão. |
O esporte de Itapetinga vive o seu momento mais delicado. E não é exagero. A nota oficial publicada pela LADI – Liga Amadorista de Desportos de Itapetinga, na última semana, é mais do que um pedido de ajuda: é um grito de socorro de quem já não sabe a quem recorrer. O texto, carregado de simbolismo velado à Prefeitura de Itapetinga, escancara uma realidade que os desportistas da cidade conhecem bem, mas que agora ganha contornos dramáticos com a Seleção de Itapetinga ainda disputando a fase de grupos do Intermunicipal.
A nota, carregada de pedidos velados diz que a LADI pediu patrocínio à Câmara Municipal e ao SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto. Dois órgãos públicos. Duas instituições que, em anos anteriores, contribuíram significativamente com a Seleção, mas que há dois anos não destinam um centavo sequer ao esporte amador.
O problema? A Câmara Municipal não pode patrocinar eventos esportivos com dinheiro público. Ponto. A legislação é clara: o apoio do Legislativo se dá por meio de convênios, cessão de espaços ou auxílio logístico, nunca por repasse direto de verbas. Já o SAAE, uma autarquia municipal, não pode celebrar um novo convênio com a LADI quando a Prefeitura já mantém um convênio ativo com a liga. Não dá. A matemática jurídica não fecha.
Sobra para a LADI bater à porta da iniciativa privada. Mas convenhamos: em um cenário economicamente inviável já que em Itapetinga o comércio privado é de pequeno porte, com empresários locais já sufocados por vendas baixas e no limite para fechar as contas do mês, quem vai patrocinar uma seleção que mesmo que avance na competição não empolgará os empresários locais à abrem os bolsos.
E aqui é preciso revisitar o passado recente. Em 2024, a Seleção de Itapetinga estava nas quartas de final do Intermunicipal, o maior campeonato amador do Brasil quando simplesmente não compareceu ao jogo contra Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. O motivo alegado na época? Falta de dinheiro. A Seleção perdeu por WO. O vexame foi do tamanho da Bahia.
Dias depois, a verdade veio à tona: brigas internas entre dirigentes da LADI pelo controle da entidade haviam consumido toda a energia e perdido tempo com desavenças, e esqueceram do objetivo principal que a seleção.
Agora, o problema não é mais interno. É externo, real e financeiro. A Prefeitura ameaça atrasar repasses de um convênio com a LADI. O dinheiro está no fim. E a Seleção segue viva na competição, mas a cada vitória surge um novo drama: como pagar a viagem? Como custear a hospedagem? Como garantir que o time entre em campo na próxima fase com os salários dos jogadores em dia?
Orçamento: prefeito Eduardo Hagge abandona o esporte com a menor verba de todos os tempos
Para entender a raiz da crise, é preciso olhar para o orçamento de 2026 enviado pelo prefeito Eduardo Hagge (MDB) à Câmara Municipal. O valor destinado à Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Turismo é o menor da história recente: R$ 2.326.000,00. Parece muito? Não é.
Desse total, a maior parte é engolida pela máquina administrativa salários, encargos, custeio. Quando se chega ao que realmente importa para o povo, o apoio a eventos esportivos e competições, o valor é de R$ 102.000,00 por ano.Isso mesmo: R$ 8.500,00 por mês.
Com R$ 8,5 mil mensais, o prefeito acredita ser possível organizar campeonatos, apoiar atletas, comprar troféus e fomentar o esporte em uma cidade do porte de Itapetinga. É uma piada de mau gosto. Nem o time de "baba" do bairro consegue se manter com uma verba tão mofada.
Para efeito de comparação, o antecessor e sobrinho do atual gestor, ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB), entregou a prefeitura com um orçamento de R$ 3,1 milhões para a área esportiva. O prefeito Eduardo Hagge retirou exatos R$ 774.000,00 da pasta uma queda real de 24,9%. Enquanto a inflação sobe e as necessidades da juventude aumentam, o investimento em esporte faz o caminho inverso, rumo ao precipício.
Gestão Eduardo Hagge vai gastar 8 vezes mais com eventos religiosos do que com o esporte
E tem mais: o prefeito Eduardo destinou mais verba para eventos religiosos do que para eventos esportivos. É uma escolha política que revela prioridades. E as prioridades, lamentavelmente, não incluem o esporte.
O esporte é a ferramenta mais barata e eficaz contra a criminalidade e o avanço das drogas entre os jovens. Cada real investido em uma quadra é um real economizado em segurança pública e saúde. Ao dar as costas para o esporte, Eduardo Hagge não está apenas economizando; está sendo negligente com o futuro de Itapetinga.
O sucateamento da Secretaria de Esporte é evidente. Com apenas R$ 82.000,00 destinados à recuperação e implantação de equipamentos esportivos para o ano todo, é melhor os desportistas prepararem o cimento e a cal, porque, se depender da prefeitura, as quadras vão virar ruínas decorativas.
A Seleção de Itapetinga segue viva no Intermunicipal. Cada vitória é uma alegria para os torcedores. Mas também é um drama. A cada avanço na competição, surge a mesma pergunta: como pagar a próxima viagem? Como garantir que o time não abandone o campeonato por falta de dinheiro?
O temor é explícito. A LADI alerta para que não se repita 2024. Mas, com o dinheiro no fim e a Prefeitura ameaçando atrasar repasses, o risco é real. O momento é dramático. A cada vitória, um novo drama. A cada jogo, um novo vexame à vista.
A Seleção é do povo de Itapetinga. O esporte também. Mas, pelo visto, o prefeito Eduardo Hagge não pensa assim. Em 2026, Itapetinga corre o risco de ser campeã em apenas uma modalidade: a de abandono.
É esporte, é 2026, é vida que segue... ou não.
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