Entre pesquisas no vermelho, traições em família e o fantasma de 2028, o prefeito de Itapetinga descobre que carisma não se transfere por decreto.
| Prefeito de Itapetinga tenta emplacar nas ruas seus candidatos a deputados, já que foram ignorados nas redes sociais. |
Parece que o atual inquilino da Prefeitura Municipal de Itapetinga finalmente percebeu que as urnas não funcionam por telepatia. Depois de um longo período de silêncio pós-eleições municipais, o prefeito Eduardo Hagge (MDB) decidiu largar o ar-condicionado do gabinete e bater sola de sapato.
O motivo para essa súbitas caminhadas? Suas apostas para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal estavam tão apagadas nas pesquisas internas que corriam sério risco de pedir socorro, amargando a temida "rabadinha" ou última fila da preferência do eleitorado.
O cardápio da salvação inventado pelo prefeito inclui o kit básico da política tradicional: corpo a corpo com o eleitor e carreatas para ver se o povo, enfim, decora os rostos dos protegidos. Até agora, o candidato a federal Jayminho Vieira Lima (MDB), faturando a herança de ser primo dos notórios condenados por corrupção Geddel e Lúcio Vieira Lima tem encontrado a repulsa clássica do eleitorado itapetinguense.
Na outra ponta, o postulante a estadual Carlinhos Sobral sofre com uma condição ainda mais dramática: o anonimato quase místico, daqueles em que nem o próprio espelho parece reconhecer o candidato. Para piorar, a pesquisa recente aponta que o candidato do sobrinho e rival Rodrigo Hagge está muito à frente do tio prefeito na corrida estadual, enquanto o federal Antônio Brito (PSD) simplesmente dispara e deixa Jayminho comendo poeira.
Segundo levantamento interno, quem lidera no estadual em Itapetinga é o deputado Rosemberg Pinto (PT), seguido pela candidata Katia Bacelar (PDT) e Wagner Alves, estadual apoiado pelo ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB).
Itapetinga: Rosemberg lidera, Kátia fura bolha, Wagner surpreende e Sobral aguarda o prefeito
O diagnóstico para essa frieza popular não exige pós-graduação em ciência política. O desgaste de Eduardo cresce na mesma proporção em que ele coleciona arestas com o próprio grupo político, especialmente após passar a rasteira nos correligionários que o colocaram na cadeira em 2024. A tropa "gabiraba", fiel ao legado do falecido ex-prefeito Michel Hagge, agora anda flertando livremente com o ex-prefeito Rodrigo Hagge, que apoia Wagner Alves (União Brasil) para estadual escancarando um erro de cálculo voraz do prefeito ao permitir que seus aliados apoiassem outras candidaturas.
Contudo, a corrida de obstáculos nas ruas não é apenas por vaidade partidária ou para salvar a pátria alheia. O desespero tem endereço certo e data marcada: 2028. Eduardo sonha com o projeto de reeleição, mas sabe que o retrovisor já mostra a sombra indigesta do sobrinho e hoje, arquirrival político.
Por essa razão exata é que existe toda essa mobilização forçada para mostrar resultado nas urnas. O prefeito sabe que precisa estancar a sangria agora se quiser ter alguma sobrevida política, pois transformar suas candidaturas desacreditadas em vitórias é a única ponte que restou para tentar garantir o seu futuro político.
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