Na corrida a deputado estadual em Itapetinga, a grande surpresa em pesquisa interna é Katia Bacelar que consegue furar a bolha do clã Hagge, em 2ª colocação.
![]() |
| Disputa pelo voto dos itapetinguense na corrida a deputado estadual acirra a 30 dias da eleição. |
Uma nova pesquisa interna, realizada por telefone entre os dias 29 e 30 de agosto com 488 eleitores de Itapetinga, trouxe à tona um retrato curioso e cheio de reviravoltas sobre as intenções de voto na cidade. O levantamento, encomendado por uma legenda partidária baiana e obtido com exclusividade pelo site IDenuncias, mostra que, após a desistência do ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB) de concorrer a deputado estadual, o cenário ficou claramente favorável ao deputado estadual petista Rosemberg Pinto, que aparece na liderança.
Mas o que mais chama atenção nos números não é apenas a vantagem de Rosemberg. A pesquisa revela uma verdadeira reviravolta no páreo estadual na cidade: a candidata Kátia Bacelar (PDT) furou a bolha de uma polarização familiar e já ocupa a segunda colocação na preferência do eleitorado, em meio a uma disputa que vai além da política tradicional e envolve diretamente o Clã Hagge, uma das mais influentes da região. Katia tem tido o apoio de vereadores e ex, que coordenam a campanha a estadual na cidade.
E a surpresa não para por aí. O terceiro lugar é ocupado por Wagner Alves (União), que até então era pouco conhecido no município. Casado com a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), ele aparece bem posicionado, impulsionado por um forte engajamento nas redes sociais e pelo apoio declarado do ex-prefeito Rodrigo Hagge. A explicação para esse fenômeno parece estar na briga interna do clã Hagge: de um lado, o prefeito Eduardo Hagge (MDB), tio de Rodrigo; do outro, o próprio Rodrigo, que rompeu politicamente com o tio e passou a apoiar Wagner como uma espécie de "candidato da oposição" dentro da própria família.
Como Eduardo Hagge permitiu que aliados apoiassem outros deputados, e não os dele?
Essa guerra silenciosa, mas intensa, dividiu os eleitores de Itapetinga os chamados "gabirabas" que, em sua maioria, escolheram ficar ao lado de Rodrigo. Para muitos, votar em Wagner é uma forma de demonstrar insatisfação com a gestão de Eduardo e, ao mesmo tempo, dar um "gosto de vingança" nas urnas.
Enquanto a comunicação de Rodrigo nas redes sociais tem funcionado muito bem, o mesmo não se pode dizer do candidato apoiado pelo prefeito Eduardo. Trata-se de Carlinhos Sobral (MDB), ex-prefeito de Coronel João Sá, uma pequena cidade do norte da Bahia, na divisa com Sergipe. Sonhando em se tornar deputado estadual, Sobral ainda não conseguiu sair do círculo restrito de apoiadores mais próximos do prefeito de Itapetinga. O resultado? Ele amarga o último lugar entre os candidatos apoiados por lideranças locais, e sua campanha depende agora de um esforço muito maior de Eduardo Hagge para ganhar tração.
Domingo (16), começa o acerto de contas no Clã Hagge entre sobrinho e tio
Com tantos ingredientes traição familiar, redes sociais em polvorosa, nomes novos e velhos conhecidos a corrida eleitoral em Itapetinga a estadual promete emoções até o fim. E, por enquanto, o que se vê é um tabuleiro em constante mudança, onde cada peça pode definir o jogo nas próximas semanas. Já que se trata de quadro de momento.

Social Plugin