Se Jerônimo dependesse de Eduardo Hagge, comício seria um fiasco

Com máquina pública nas mãos e mais de 1.800 contratados, prefeito de Itapetinga não consegue lotar nem um quinto da quadra esportiva de seus aliados para o governador.

Se Jerônimo dependesse de Eduardo Hagge, comício seria um fiasco
Segundo programa IA de contagem de publico estima-se que o prefeito tenha levado pouco mais de 2 mil pessoas para o comício do governador da Bahia.

A estratégia da equipe do governador Jerônimo Rodrigues (PT) para o comício em Itapetinga foi, pelo jeito, mais certeira do que muitos imaginavam. A ordem era clara: mobilizar prefeitos aliados de toda a região e fazer cada um trazer sua tropa para o Parque da Lagoa. E funcionou. Mas não graças ao anfitrião da cidade.

O prefeito Eduardo Hagge (MDB), mais conhecido como "Tiozão", resolveu fazer uma caminhada do bairro Nova Itapetinga até o local do evento. O problema? As imagens que rodam nas redes sociais mostram um público modesto, que mal ocuparia alguns metros da enorme quadra do parque da Lagoa. E olha que ele tem à disposição nada menos que 1.800 contratados na Prefeitura, segundo o Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM). Com esse exército de servidores temporários, dava para dobrar o número de pessoas. Mas não foi o que se viu.

A confusão já começou na convocação. Pelos anúncios nas redes, a caminhada era do MDB, não de Jerônimo. Muita gente vestia amarelo, cor do partido de Eduardo, e não o vermelho petista. Ou seja, o povo que foi não foi para aplaudir Jerônimo, mas para acompanhar o prefeito. E mesmo assim, a conta não fechou.

Usando programas de inteligência artificial para contagem de público, as imagens estimam cerca de 2,2 mil pessoas na caminhada. Mas desse total, uma boa parte era formada por visitantes de outras cidades que, maioria, pensaram que veriam o governador caminhando com eles. Ilusão. E também tinha simpatizantes de Lula e Jerônimo que foram por conta própria, não por influência do prefeito.

O resultado é constrangedor para Eduardo Hagge, que está com a máquina pública nas mãos, mas parece que perdeu a mão para levar gente às ruas. Com mais de 1.800 contratados, era de se esperar uma multidão.

E o cenário político de Eduardo não ajuda. Ele vive uma guerra aberta com o próprio sobrinho, o ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB), que rompeu com o tio e levou parte do grupo "Gabiraba" seguidores do saudoso ex-prefeito Michel Hagge, pai de Eduardo. Essa briga rachou a família e o eleitorado. 

Enquanto Rodrigo apoia Wagner Alves, em Vitória da Conquista, Eduardo tenta se segurar no poder, mas parece que o cabo de guerra pende para o lado do sobrinho.

Jerônimo arrasta comitivas de cidades em comício lotado em Itapetinga 

Se depender de Eduardo Hagge para levar público ao governador, o fiasco seria certo. E ainda tem mais: ele aposta em candidaturas frágeis, como a de Jayme Vieira Lima (MDB), primo dos irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima, ambos condenados por corrupção, e a de Carlinhos Sobral (MDB), ex-prefeito de uma pequena cidade do agreste, também suspeito de irregularidades em sua gestão municipal. Nomes que, no mínimo, levantam sobrancelhas.

No fim das contas, a estratégia do PT de buscar público nas cidades vizinhas foi a salvação da pátria. Se dependesse do "Tiozão", o comício viraria piada. E o pior: com tanta gente contratada na prefeitura, ele continua sozinho, ou melhor, mal acompanhado.