Como a eleição de 2026 já definiu os adversários a prefeito de 2028 em Itapetinga

Em meio a rachas familiares, alianças de risco e uso da máquina pública, a corrida eleitoral deste ano é apenas o aquecimento para a sucessão municipal de 2028.

Como a eleição de 2026 já definiu os adversários a prefeito de 2028 em Itapetinga
Políticos de Itapetinga estão de olho na elieção de 2028. Imagem criada por IA.

A eleição de 2026 em Itapetinga já começou, e com um roteiro digno de uma disputa de poder em que cada movimento é calculado como uma partida de xadrez.

O que está em jogo não é apenas vagas na Câmara dos Deputados ou na Assembleia Legislativa, mas, sim, o trono da Prefeitura em 2028. Cada voto dado agora será uma moeda de troca na disputa que realmente importa, e os chefes políticos locais sabem disso.

A pergunta que ecoa nos bastidores não é "quem vai ganhar em outubro?", mas sim "quem vai sair mais forte para a briga na eleição municipal?".

O cenário é de uma fragmentação rara. Enquanto o prefeito Eduardo Hagge (MDB) tenta usar o peso da máquina pública para turbinar seus candidatos a deputado, vê seu próprio sobrinho, o ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB), fincar pé na direção oposta. É a velha história da política familiar que se transforma em uma guerra de trincheiras.

2º suplente de senador, é um desculpa aí... de Rodrigo Hagge que deixa ‘Gabirabas’ como baratas tontas

Rodrigo, ao desistir da candidatura a deputado estadual para ser 2º suplente de senador de João Roma do PL, deu um tiro no escuro que pode ter acertado o próprio pé. A decisão o leva abandonar o deputado federal Antônio Brito (PSD) que tem tudo para repetir a liderança nas urnas em Itapetinga, o ex-prefeito pode ter ficado sem o grupo de Brito como cabo eleitoral que o levaria a 2028, em busca do terceiro mandato. Rodrigo Hagge deve apoiar a esposa de João Roma, a deputada federal Roberta Roma (PL). O estadual do ex-prefeito ainda está por definir.

Se Rodrigo joga no escuro, Eduardo Hagge que está de olho na reeleição, aposta todas as fichas em duas peças que são, no mínimo, controversas. O prefeito colocou a Prefeitura para impulsionar as campanhas de Jayme Vieira Lima/MDB (candidato a federal) e Carlinhos Sobral/MDB (candidato a estadual).

O problema? Ambos estão diretamente ligados a figuras carimbadas pelo Judiciário. Jayme, primo dos condenados Geddel e Lúcio Vieira Lima, e Carlinhos Sobral, que carrega um histórico de acusações de irregularidades em sua gestão quando prefeito da agreste cidade Coronel João Sá, são os famosos "telhados de vidro" que o prefeito escolheu para construir sua base.

A pergunta é: será que o eleitor vai engolir esse "passado" ou a máquina pública vai conseguir maquiar a tempo a imagem dos candidatos?

Enquanto o prefeito aposta no "fogo amigo" para garantir vantagem, a oposição, na figura de Cida Moura (PSD), parece nadar contra a correnteza. Cida perdeu seu grupo político de 2024 justamente para o atual prefeito Eduardo Hagge.

Para compensar o racha com os gabirabas, grupo que elegeu o Tiozão prefeito, Eduardo atraiu os antigos aliados de Cida para a Prefeitura, ofertando cargos em troca de apoio político. O resultado prático? A líder opositora ficou quase sozinha, com poucos a segui-la.

A convocação do governador Jerônimo Rodrigues para ajudar na campanha estadual soa mais como um salva-vidas do que como um trampolim. Sem grupo político forte para ir às ruas, a ex-candidata da oposição corre o sério risco de ver sua votação de 17 mil votos, em 2024 definhar, comprometendo qualquer sonho de chegar ao Paço Municipal em 2028.

Apoiar o filho do senador Otto Alencar (PSD), o Daniel Alencar (PSD) pode lhe dar um palanque, mas sem um séquito, o palanque vira um péssimo negócio para líder opositora.

E no meio desse tiroteio todo, quem parece se dar bem é o deputado estadual Rosemberg Pinto (PT). Com a desistência de Rodrigo Hagge, que seria um concorrente de peso na corrida ao estadual, o petista pode fazer o simples "feijão com arroz" e repetir a votação.

Para ele, a disputa municipal em 2028 é um problema distante. Seu foco agora é se manter vivo e com influência, mesmo que sua força eleitoral em Itapetinga tenha diminuído desde era de José Carlos Moura (PT) na prefeitura de Itapetinga.

Com desistência de Rodrigo Hagge, ACM Neto perde palanque na região de Itapetinga; só Jerônimo ganha 

Portanto, a eleição de 2026 em Itapetinga é a grande prévia do que virá. Será a vez do prefeito usar a máquina para provar que seus candidatos "encrencados" podem vencer, ou a oposição, mesmo fragmentada, mostrará que a força de um nome ainda supera o peso de uma caneta?

O jogo está aberto, mas a jogada mais arriscada é a de 2028, que está sendo desenhada agora, voto a voto.