A guinada repentina do ex-prefeito de Itapetinga deixa aliados na mão, rompe a tradição pós-Michel Hagge e redesenha o tabuleiro eleitoral de Itapetinga após desistência de candidatura a estadual.
![]() |
| Ex-ministro do governo Jair Bolsonaro e candidato ao senado, João Roma (PL) com o então prefeito de Itapetinga, Rodrigo Hagge, no período das enchentes na cidade. |
A política tem dessas peças teatrais onde os atores mudam de figurino nos bastidores, mas esquecem de avisar o público e, pior, o próprio elenco de apoio. É exatamente esse o retrato que se desenha nos corredores do poder em Itapetinga após o mais recente lance do ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB), que desistiu de candidatura a estadual para ser mero coadjuvante de segundo suplente de senador.
Depois de idas, vindas e muita expectativa, a novela da pré-candidatura de Rodrigo a deputado estadual teve um desfecho digno de "voo de galinha": bateu asas por um instante, mas caiu logo ali na frente. A justificativa oficial que ecoa nos bastidores seria a falta de recursos financeiros para bancar uma empreitada estadual. Mas na praça, o que se vê é a postura do famoso "tô nem aí", uma serenidade indigesta para quem mobilizou a tropa e, de repente, deu meia-volta.
Para o grupo dos chamados “gabirabas”, a rasteira foi monumental. Eles tinham colocado a faca nos dentes, prontos para marchar e enfrentar o atual prefeito Eduardo Hagge (MDB), o "Tiozão", que assumiu a cadeira do Executivo e, segundo os aliados de primeira hora, tem demonstrado pouquíssimo apego, ou nenhum, com os remanescentes do antigo grupo.
Com a desistência de Rodrigo, o efeito foi imediato: o gabirabismo ficou igual a barata tonta, correndo de um lado para o outro sem saber quem deve apoiar, onde pisar e nem o que fazer nas urnas.
Eduardo Hagge usa impasse na candidatura de Rodrigo Hagge para movimentar seus candidatos a deputado
É preciso reconhecer a leitura fria dos fatos políticos locais: Rodrigo Hagge candidato é uma coisa; apoiar um nome que não seja do clã é completamente outra. Pela primeira vez desde o falecimento do grande líder patriarca Michel Hagge, o grupo se vê órfão de um representante direto da família encabeçando uma chapa majoritária ou proporcional com alguma chances. Sem a máquina pública nas mãos, hoje sob o comando do "Tiozão", o peso político de Rodrigo parece murcha drasticamente.
Para amenizar o vazio, o arranjo político levou Rodrigo para a segunda suplência de senador na chapa de oposição liderada por João Roma (PL). Na prática, soa muito mais como um prêmio de consolação do que um projeto de poder palpável. Convenhamos: mesmo que a chapa venha a vencer, a probabilidade de um segundo suplente assumir efetivamente uma cadeira no Senado da República é um exercício raro de loteria política.
Para piorar o cenário do aliado de Rodrigo Hagge, a conjuntura estadual e federal na Bahia não favorece João Roma (PL) da oposição. Com a forte influência de Lula, as chances do bolsonarista e ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL) faturar uma cadeira ao Senado, é um gigantesco desafio em um estado de 70% lulistas.
No fim das contas, Rodrigo Hagge garantiu o seu quinhão no espólio político deixado pelo clã, mas optou por recolher as velas na hora H. Restou aos gabirabas engolirem o "desculpa aí", lidarem com a solidão na praça pública e descobrirem se ainda existe rumo para uma tropa que, de uma hora para outra, perdeu o norte.

Social Plugin