Enquanto a Bahia acompanha o placar das urnas, os R$ 200 milhões prometidos na pauta do ‘irmão Vorcaro’ transformam a corrida a governador em onda sísmica. O inferno astral carlista foi, oficialmente, inaugurado.
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| Caso Master pode atingir de cheio a campanha a governador da Bahia de ACM Neto (União Brasil), após revelação de comissão milionária. |
Há quem diga que política na Bahia se faz com axé, santo forte e um sorriso largo de orelha a orelha. Mas, convenhamos, o figurino de bom moço moderninho de ACM Neto (União Brasil) acaba de receber um adereço indigesto e de gosto duvidosamente salgado: uma comissão de R$ 200 milhões que tem o condão de fazer qualquer marqueteiro de campanha enfartar ao vivo e a cores.
O vazamento sobre a comissão ao carlista baiano, é um soco no estômago do andar de cima. E não é para menos. Na praça aquela mesma onde o povo discute se o governador Jerônimo Rodrigues (PT) merece ou não a reeleição em meio a um empate técnico nas pesquisas, o assunto deixou de ser o calor de Salvador para virar uma verdadeira tour de force pelo submundo dos fundos de previdência.
ACM Neto lidera por 2 pontos, mas 57% dos baianos aprovam Jerônimo: a conta não fecha
Segundo as revelações da proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro um verdadeiro irmão de fé nos negócios escusos, carinhosamente apelidado nos bastidores da República, a engrenagem funcionava à base de 10% sobre aportes estaduais no Banco Master. Rio de Janeiro, Amapá, Amazonas e a Cedae que nos digam como a porteira foi aberta. No total? Arrecadação de R$ 2 bilhões. Na ponta do lápis dos políticos? A bagatela de duzentos milhões de reais para dividir entre o neto do maior líder político da história da Bahia, o velho ACM, e seu sócio de partido, Antônio Rueda (União Brasil), atual presidente da sigla partidária.
É o capitalismo de laço e gravata. Enquanto o trabalhador baiano faz milagre para pagar a feira, a turma negociava consultorias e repasses via "intermediários amigos" que fariam inveja a qualquer roteiro de drama policial. E olha que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República já torceram o nariz para a delação por falta de originalidade na bandalheira. Mas, cá entre nós, quando o Coaf aponta milhões pingando em escritórios e consultorias como a A&M e a B6 Capital, pertencentes a ACM Neto, o cheiro de queimado já tomou conta da Barra e da Pituba.
Para coroar o circo dos horrores, o presidente do STF mexe os pauzinhos para pedir a quebra de sigilo do famigerado Caso Master. Se a porteira do sigilo abrir de vez, preparem os abrigos antiaéreos: a tempestade promete varrer o palanque da oposição e, de quebra, respingar na vizinhança petista, afinal, o fogo amigo e os abraços ecumênicos com o "irmão Vorcaro" não escolheram partido na hora da festa.
Do lado de lá, a defesa é o velho e manjado figurino da indignação seletiva: notas oficiais bradam que tudo é "absurdo, fantasioso e mentiroso". Rueda diz que não viu o documento; Neto jura de pés juntos que é pura ficção. Só que, na política, quando a esmola é grande demais, ou melhor, quando a comissão bate a casa dos nove zeros, o santo desconfia.
Se a moda pega, o Palácio de Ondina vai precisar de engenharia pesada para resistir aos tremores de terra. Resta saber se o eleitor baiano vai preferir fechar os olhos para a calculadora ou se o troco, nas urnas, virá em forma de tsunami. Até lá, o inferno astral de ACM Neto continua a todo vapor. Peguem a pipoca e ajustem os capacetes.
É vida que segue...

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