ACM Neto lidera por 2 pontos, mas 57% dos baianos aprovam Jerônimo: a conta não fecha

Pesquisa Quaest bota ACM Neto em alerta vermelho: com apenas dois pontinhos de vantagem sob Jerônimo antes de o horário eleitoral começar, o terreno racha sob os pés do carlismo e o filme de 2022 ameaça se repetir.

ACM Neto lidera por 2 pontos, mas 57% dos baianos aprovam Jerônimo: a conta não fecha
Disputa a governador da Bahia põe a oposição nas cordas após pesquisa.

Na política baiana, os números frios de uma pesquisa contam uma história muito mais profunda do que aparentam. Quando a caneta da Quaest desenha um empate técnico na largada, o que se lê nas entrelinhas é o desespero de uma estratégia que já nasceu caduca.

A divulgação da nova pesquisa Quaest caiu como uma ducha de água fria no QG de ACM Neto (União Brasil). O ex-prefeito de Salvador aparece na liderança da corrida pelo Palácio de Ondina com 39% das intenções de voto, contra 37% do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Como a margem de erro é de três pontos percentuais, estamos diante de um nítido e desconfortável empate técnico. Mas o dado mais revelador e alarmante para a oposição não é o empate em si, mas o contexto que o molda.

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Para quem pintava uma vitória antecipada ou apostava na fragilidade da máquina governista, a conta simplesmente não fecha. Estar tecnicamente empatado antes do início oficial da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão que começa justamente nesta sexta-feira, 28 é o pior cenário possível para ACM Neto. E a memória política recente não perdoa: a história corre o sério risco de se repetir, mas de forma ainda mais cruel para o carlismo.

É impossível analisar este momento sem revisitar o filme de 2022. Naquela eleição, a narrativa construída pelo grupo de ACM Neto era de que a vitória estaria assegurada já no primeiro turno. As pesquisas iniciais alimentavam essa expectativa de triunfo absoluto. No entanto, bastaram as últimas duas semanas de campanha intensa para que o castelo de cartas começasse a ruir.

A onda do voto útil e a força da máquina petista empurraram Jerônimo para uma arrancada histórica, levando o então desconhecido secretário à vitória no segundo turno com 52,78% dos votos, após quase liquidar a fatura logo no dia 2 de outubro.

Porém, o jogo de 2026 é radicalmente diferente e muito mais desfavorável a ACM Neto. Em 2022, Neto enfrentava um candidato que a maioria dos baianos desconhecia profundamente até meses antes do pleito.

Hoje, a realidade é o oposto exato: Jerônimo Rodrigues não é mais um ilustre desconhecido. Ele é o governador da Bahia, uma figura institucional consolidada que passou os últimos anos percorrendo cada canto do estado, entregando obras, inaugurando hospitais, escolas e dialogando diretamente com os municípios. Aprovado por 57% dos baianos com uma reprovação despencando a apenas 25%, Jerônimo chega à largada colado no adversário, fortalecido pela própria gestão.

Raio-X da Gestão e do Cenário Eleitoral:

Aprovação do Governo: 57% aprovam / 34% desaprovam.
Avaliação Positiva: 38% consideram ótima e boa / 33% regular e 25% negativa.
Disputa de 1º Turno: ACM Neto (39%) vs. Jerônimo Rodrigues (37%). Empate técnico.
Cenário de 2º Turno: ACM Neto (44%) vs. Jerônimo Rodrigues (41%).
Senado: Rui Costa (23%) e Jaques Wagner (17%) lideram a chapa governista com folga.

Outro elemento crucial que quebra a narrativa de ACM Neto é o peso da maior locomotiva eleitoral do país: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na Bahia, Lula não é apenas um cabo eleitoral de luxo; ele é o grande puxador de votos que descarrega capital político massivo tanto na chapa majoritária para o governo quanto para o Senado. A agenda conjunta entre Lula e Jerônimo marcada justamente para esta sexta-feira simboliza a união de forças que blindou o projeto petista e garante capilaridade no interior.

Enquanto a base governista surfa na popularidade de Lula e na força de seus líderes no Senado com Rui Costa (23%) e Jaques Wagner (17%) liderando destacadamente a corrida para a Câmara Alta, frente aos nomes da oposição como João Roma (7%) e Angelo Coronel (5%), ACM Neto tenta desesperadamente focar o debate em temas estaduais sensíveis, como a segurança pública. Contudo, isolar o debate estadual quando o adversário possui 57% de aprovação popular é uma tarefa desafiadora.

Com o início do horário eleitoral, a capacidade de oposição de ACM Neto de manter sua narrativa de "mudança" esbarra na solidez dos números de Jerônimo Rodrigues. Se em 2022 o tempo de campanha foi o carrasco do projeto carlista nas semanas finais, em 2026 o tempo passa a ser o maior aliado do Palácio de Ondina desde o dia 1.

A conta simplesmente não fecha para ACM Neto. Liderar com míseros dois pontos de vantagem antes da propaganda de rádio e TV começar é um sinal de extrema fraqueza para quem pretendia hegemonia. O jogo eleitoral baiano entrou em sua fase mais dura, e o favoritismo, que antes parecia intocável anos atrás, deu lugar a uma luta de sobrevivência política.

Fontes de Consulta: Dados extraídos da Pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira, 27/08, sobre intenção de voto para governo e Senado na Bahia, avaliação da gestão estadual e cenários de 1º e 2º turno.