Na eleição 2022, a virada de Jerônimo sobre ACM Neto ocorreu na última semana decisiva do pleito, 4 ano depois tem tudo para chegar antes do início da campanha oficial a governador da Bahia.
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| Imagem criada por IA: ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT), candidatos a governador da Bahia. |
Se tem uma coisa que a política baiana nos ensinou nos últimos anos é que o voto é líquido e, às vezes, volátil. Quem viveu 2022 lembra bem do sufoco do candidato a governador ACM Neto (União Brasil), que viu um desconhecido chamado Jerônimo Rodrigues (PT) encostar em suas barbas e quase levá-lo para a derrota no primeiro turno. Naquela época, o favoritismo de Neto derreteu na reta final da eleição de 1º turno, e ele precisou de uma sobrevida no segundo turno para, no fim, ser atropelado pela máquina petista impulsionada pelos votos de Lula.
Pois bem, a cerca de dois meses para as eleições de 4 de outubro, a história parece estar se repetindo, só que com um capítulo extra e, para ACM Neto, um tanto assustador. A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (29/07), acendeu o sinal de alerta máximo no quartel-general do União Brasil. O ex-prefeito de Salvador, que liderava as pesquisas com folga no início da corrida, agora vê o governador petista não apenas se aproximar, mas cravar um empate técnico. São 39% para Neto contra 38% para Jerônimo. Uma diferença de mísero 1%, que está dentro da margem de erro de 3 pontos. É praticamente um "tiro de empate" na reta final dos comerciais.
A grande novidade, e o grande pesadelo para a oposição, é que a virada de mesa vista apenas na última semana da eleição passada [2022] pode ser antecipada este ano. Os números já mostram que a rejeição a ACM Neto (33%) começa a incomodar mais do que a do governador (40% - um índice alto, mas que parece não assustar o eleitorado que o apoia), e a imagem de Jerônimo segue firme, com 57% de aprovação.
Enquanto Neto tenta surfar na onda da renovação, seu principal trunfo o apoio a um presidenciável desconhecido na Bahia mostrou-se um tiro no pé. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que recebeu o endosso de Neto, patina na Bahia com apenas 3% das intenções de voto. É um número pífio, que mostra que o cabo eleitoral do ex-prefeito não puxa voto algum no estado. Pelo contrário: ao abraçar Caiado, Neto pode estar afastando ainda mais os eleitores que orbitam em torno do bolsonarismo raiz, que prefere Flávio Bolsonaro (PL), ou os que pendem para o campo progressista.
O fator Lula: O peso na balança
E é aqui que entra o elemento que pode decretar o fim da linha para ACM Neto. A mesma pesquisa Quaest que mostra o empate no governo revela um cenário arrasador para o presidente Lula na Bahia. O petista lidera a corrida presidencial no estado com 52% das intenções de voto, contra apenas 18% de Flávio Bolsonaro. Ou seja, para cada 10 eleitores baianos, mais de 7 acreditam e aprovam o trabalho de Lula.
A rejeição a Flávio Bolsonaro é de 66%, um número altíssimo que demonstra a força da polarização no estado. Enquanto isso, 62% dos baianos aprovam o governo federal e 57% acham que Lula merece a reeleição. Esse capital político imenso do presidente é o motor que pode empurrar Jerônimo Rodrigues para uma vitória esmagadora no primeiro turno.
Lula e Jerônimo a caminho de uma vitória esmagadora na Bahia, aponta Quaest
Diferente de 2022, quando Jerônimo era uma aposta incerta que cresceu no apagar das luzes, hoje ele é o governador, e o nome de Lula está mais forte do que nunca na Bahia. A pesquisa mostra que 47% dos eleitores querem um governador aliado de Lula, e 56% já identificam Jerônimo como o candidato do presidente. ACM Neto, por outro lado, é vinculado ao ex-presidente Bolsonaro por 29% do eleitorado, um estigma que pesa em um estado onde a família Bolsonaro é amplamente rejeitada.
A corrida ao Senado e a força do PT
Não é só no Executivo estadual que o cenário é desfavorável a ACM Neto. A corrida para o Senado também pinta um quadro complicado para a chapa oposicionista. Enquanto o ministro Rui Costa e Jaques Wagner lideram com 22% e 16%, respectivamente, os candidatos apadrinhados por Neto, João Roma e Angelo Coronel, patinam com apenas 6% cada.
A aposta do PT em dois nomes fortes para o Senado mostra a estratégia de consolidar uma maioria absoluta no estado. Enquanto Roma e Coronel são desconhecidos por 61% e 64% do eleitorado, respectivamente, Rui Costa é um dos nomes mais lembrados, com 47% de conhecimento e intenção de voto.
A hora da virada
ACM Neto tem apenas dois meses para reverter um quadro que já foi mais favorável. A sensação que fica é que ele está vendo, em câmera lenta, o mesmo filme de 2022 passar novamente, mas com um final que pode ser ainda mais cruel para suas ambições: a derrota consumada no primeiro turno.
A máquina petista, comandada por Lula e com Jerônimo bem avaliado, parece engrenada. Se a vantagem de Lula entre os baianos for convertida em votos no dia 4 de outubro, a Bahia pode, mais uma vez, mostrar que o voto de cabresto não existe mais, mas que a força de um líder carismático e o cansaço com a velha política são capazes de promover reviravoltas históricas. E, pelo jeito, o "desconhecido" de 2022 está prestes a se tornar o "invencível" de 2026.

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