Itapetinga perde 247 empregos em junho e vê demissões atingir em cheio jovens e mulheres

Dados do Novo Caged, mostram 702 demissões e apenas 455 contratações em junho. Indústria responde por 87% das perdas. Jovens, mulheres e quem tem ensino médio foram os mais afetados; comércio foi a única exceção positiva.

Itapetinga perde 247 empregos em junho e vê demissões atingir em cheio jovens e mulheres
Itapetinga registra segundo mês consecutivo de demissões.

O mercado de trabalho formal de Itapetinga fechou o mês de junho de 2026 com um sinal de alerta ligado. Os números do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na última quarta-feira (29/7) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que a cidade voltou a amargar mais um saldo negativo de 247 postos de trabalho com carteira assinada. Em maio foram 55 postos fechados.

Itapetinga desacelera na geração de empregos, mas ainda mantém saldo positivo em abril 

Para se ter uma ideia do tamanho do estrago, o município registrou 455 contratações no período, contra 702 demissões.

Isso significa que, para cada pessoa que conseguiu uma nova vaga formal, quase duas perderam o emprego.

Mas, afinal, quem está sendo mais afetado por essa onda de demissões? Os dados mostram que a crise não foi igual para todos. Ela tem um rosto, uma idade e uma escolaridade bem definidos.

A indústria volta a ser a grande vilã do mês

Se você olhar para o saldo geral da cidade e se perguntar de onde veio esse rombo de 247 vagas, a resposta é quase que inteiramente de um único setor: a indústria.

Os trabalhadores da produção de bens e serviços industriais foram responsáveis por um saldo negativo de -215 postos

Sozinhos, eles representam impressionantes 87% de toda às demissões registradas em Itapetinga no mês de junho.

No lado oposto, o comércio local foi a única luz no fim do túnel.

Os vendedores e trabalhadores de serviços em lojas e mercados conseguiram fechar o período com um saldo positivo de +19 vagas, evitando que a situação na cidade fosse ainda pior. Os setores de construção civil, serviços e agropecuária também tiveram perdas, mas em proporções bem menores.

Os jovens e as mulheres são os que mais sofrem

Ao aprofundar a análise, o que mais preocupa é o impacto social dessas demissões. O desemprego em Itapetinga está atingindo, principalmente, quem está começando a vida profissional.

Os jovens com idade entre 18 e 24 anos foram os mais penalizados. Somente essa faixa etária perdeu -119 vagas, o que equivale a quase metade (48%) de todo o saldo negativo do município.

As mulheres também saíram perdendo nessa disputa. Elas tiveram um saldo de -139 postos fechados, enquanto os homens perderam -108 vagas. Ou seja, mais da metade dos cortes de emprego em junho foram em postos ocupados por mulheres itapetinguenses.

Ensino médio é o mais afetado; quem tem diploma escapa

Outro recorte revelador está na escolaridade. O desemprego em Itapetinga atingiu em cheio a base da pirâmide educacional. As vagas perdidas se concentraram, quase que totalmente, em trabalhadores com Ensino Médio (completo ou incompleto). Juntos, esses dois grupos somaram -170 postos perdidos.

Em contraste, os trabalhadores com ensino superior completo não só não foram demitidos em massa, como tiveram um saldo levemente positivo de +2 vagas. O mercado local mostrou que, neste momento de crise, a qualificação profissional está servindo como um escudo contra o desemprego.

Fim de um ciclo de bonança?

Os números de junho não vieram do nada. O gráfico histórico do Caged mostra que Itapetinga vinha de um período muito aquecido, com picos de geração de emprego em 2024 e início de 2025, chegando a quase 500 contratações em um único mês (julho/2025).

Porém, a partir do final do ano passado, a roda começou a girar para trás. Em dezembro de 2025, a cidade já havia registrado um forte saldo negativo (-129). Este ano, após alguns meses de equilíbrio, a crise se consolidou novamente. Em maio, o saldo já era negativo (-12), e em junho veio o tombo de -139.

O que mais acende o alerta é a queda brusca na capacidade de gerar novas oportunidades: em julho do ano passado, a cidade admitiu 494 trabalhadores; em junho deste ano, esse número despencou para apenas 168.