Pesquisa interna revela cenário apertado na cidade, com Lula exercendo papel decisivo na corrida eleitoral para governador e senador.
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| Disputa para o senado federal em Itapetinga está mais acirrada que para governador da Bahia. |
Se tem uma coisa que a política baiana ensina é que nenhuma eleição se ganha no grito, muito menos na promessa. E em Itapetinga, cidade do sudoeste baiano, a máxima se confirma com precisão cirúrgica. Um levantamento realizado na quinzena de setembro, encomendado por agentes políticos e feito por telefone, revela um quadro que contraria o discurso triunfalista de alguns aliados do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
A vantagem do petista em Itapetinga existe, é verdade. Mas é apertada. Muito mais apertada do que prometiam os políticos locais que juraram fidelidade ao governante baiano. E o que explica esse cenário? Um nome, uma história, uma liderança que transcende fronteiras: Luiz Inácio Lula da Silva.
O fator Lula
O presidente da República goza de ampla vantagem na preferência do eleitorado itapetinguense. Segundo o levantamento, nada menos que dois terços dos eleitores da cidade demonstram simpatia pelo petista. É um número que impressiona e que, inevitavelmente, transborda para a disputa estadual.
A pesquisa pergunta de forma direta: "Você votaria em um candidato apoiado por Lula?" A resposta é reveladora: 59% afirmam que sim, votariam no candidato apoiado pelo presidente. É uma preferência que deixa em alerta os opositores aos petistas na cidade e que explica, em grande medida, por que Jerônimo mantém a dianteira mesmo que por margem estreita.
O comício que não converteu
Após o grandioso comício no Parque da Lagoa, em Itapetinga, promovido pela campanha do governador Jerônimo, a expectativa era de um salto nas intenções de voto. Não foi o que aconteceu. O governador, que busca a reeleição, subiu apenas dois pontos em comparação à pesquisa anterior. Dois pontos. Um crescimento modesto, quase tímido, para quem mobilizou estrutura e prometeu arrebatar corações e mentes.
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E tem mais: esse desempenho aconteceu sem que ACM Neto (União Brasil) tivesse sequer pisado em Itapetinga para um evento político. O ex-prefeito de Salvador, principal adversário de Jerônimo na corrida estadual, conta apenas com o apoio aberto de Rodrigo Hagge (PSDB), ex-prefeito da cidade e visto como a maior liderança opositora local. Ainda assim, a distância entre os dois não é confortável para o governo.
O senado e a disputa acirrada
Se a corrida pelo governo estadual em Itapetinga já é disputada, a briga pela segunda vaga ao Senado é ainda mais acirrada. Na liderança, o ex-governador Rui Costa (PT) ganha fôlego e oxigena sua candidatura no município. Mas é na segunda colocação que o jogo pega fogo.
Apenas "dois pontinhos" separam o também ex-governador Jaques Wagner (PT) de João Roma (PL). O bolsonarista, que aparece na terceira colocação, está no encalço do petista. E aqui entra um detalhe que pode fazer toda a diferença: a sondagem sobre o voto em candidatos apoiados por Lula. Se o eleitor itapetinguense realmente seguir a preferência presidencial, o cenário para Roma e para seus aliados pode se complicar.
O pesadelo tem nome e sobrenome
E esse pesadelo tem nome, sobrenome e história: Rodrigo Hagge. O ex-prefeito de Itapetinga lidera a oposição na cidade contra os petistas e, para completar o enredo, é o 2º suplente de senador na chapa de João Roma. Ou seja, Rodrigo não é apenas um apoiador de Neto; ele é parte ativa de uma engrenagem que tenta frear o avanço petista na região.
O problema para Rodrigo Hagge é que a pesquisa revela um eleitorado que, em sua maioria, não parece disposto a remar contra a corrente lulista. Se o presidente tem a preferência de dois terços dos eleitores da cidade, como indicam os números, o caminho para a oposição fica, no mínimo, íngreme.
A fotografia do momento
É preciso esclarecer: esse é o retrato da fotografia política eleitoral do momento. Uma imagem capturada na quinzena de setembro, com base em entrevistas telefônicas, e que pode mudar e muito em um intervalo de duas semanas. Afinal, faltam apenas 16 dias para a eleição geral de 4 de outubro.
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Em política, como se sabe, duas semanas são uma eternidade. O que hoje é vantagem apertada pode virar empate. O que hoje é desvantagem pode se transformar em virada. E o que hoje é certeza pode ruir diante de um fato novo, um escândalo, uma declaração infeliz ou um comício arrasador.
Mas uma coisa é indiscutível: em Itapetinga, a eleição não está decidida. Nem para governador, nem para senador. E o fator Lula, queira ou não a oposição, é a variável que ninguém consegue ignorar.
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