Força de Lula no estado impulsiona Jerônimo na disputa pelo Palácio de Ondina e reforça favoritismo petistas também na corrida ao Senado.
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| Governador da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT) e o presidente da republica Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em evento na Bahia. |
Os novos números da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, (29/07), acendem um alerta vermelho para a oposição baiana. Se a eleição fosse hoje, o cenário já seria extremamente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Bahia e indicaria uma disputa estadual muito diferente daquela imaginada há poucos meses. A força eleitoral de Lula no estado pode, mais uma vez, ser o fator decisivo para impulsionar o governador Jerônimo Rodrigues (PT) rumo à reeleição.
Na corrida presidencial, Lula aparece com 52% das intenções de voto entre os baianos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra apenas 18%. Na prática, o petista reúne quase sete em cada dez votos válidos quando comparado ao principal adversário, consolidando uma vantagem que pode até ser ampliada durante a campanha.
Primeiro turno - Presidência (Bahia):
Lula (PT): 52%
Flávio Bolsonaro (PL): 18%
Ronaldo Caiado (PSD): 3%
Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%
Augusto Cury (Avante): 1%
Renan Santos (Missão): 1%
Romeu Zema (Novo): 1%
Samara Martins (UP): 1%
Edmilson Costa (PCB): 0%
Leonardo Avalanche (PRTB): 0%
Indecisos: 13%
Branco/Nulo/Não vai votar: 9%.
Os números ajudam a explicar esse cenário. O governo Lula é aprovado por 62% dos baianos, 57% acreditam que ele merece ser reeleito e, em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, a vantagem sobe para 56% contra apenas 23%. O contraste fica ainda mais evidente quando se observa a rejeição: Flávio Bolsonaro é rejeitado por 66% do eleitorado baiano, o maior índice entre todos os nomes testados.
Esse ambiente político fortalece diretamente o projeto eleitoral do PT na Bahia.
Há quatro anos, ACM Neto iniciou a campanha como amplo favorito ao governo estadual. No entanto, a força da campanha presidencial de Lula transformou completamente o cenário. Jerônimo Rodrigues, então pouco conhecido da maioria dos baianos, cresceu rapidamente na reta final, levou a disputa para o segundo turno por uma diferença inferior a 1% dos votos válidos e, depois, venceu a eleição impulsionado pela expressiva votação do presidente no estado.
Agora, a história parece começar de forma diferente.
Faltando pouco mais de dois meses para a eleição de 4 de outubro, a Genial/Quaest já registra um empate técnico entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues. O ex-prefeito de Salvador aparece com 39%, enquanto o atual governador soma 38%. Numericamente, apenas um ponto percentual separa os dois candidatos diferença totalmente dentro da margem de erro.
O dado representa uma mudança significativa em relação às expectativas da oposição. Diferentemente de 2022, quando a aproximação de Jerônimo ocorreu apenas na última semana da campanha, agora o governador já aparece colado em ACM Neto ainda no início da disputa oficial.
Politicamente, isso pode ser interpretado como um sinal preocupante para a oposição. Se o chamado "efeito Lula" voltar a crescer durante a campanha, Jerônimo poderá repetir ou até antecipar o movimento que virou a eleição passada.
Outro indicador reforça essa possibilidade. A pesquisa mostra que 52% dos baianos consideram que Jerônimo merece ser reeleito, enquanto seu governo é aprovado por 57% da população. Além disso, quase metade do eleitorado (47%) afirma preferir que o próximo governador seja aliado de Lula, e 56% identificam Jerônimo justamente como o candidato do presidente.
Na prática, Lula continua sendo o maior cabo eleitoral da Bahia.
Fala de ACM Neto sobre prefeitos revela o porquê ele é bom de largada e ruim de chegada
Enquanto isso, ACM Neto enfrenta outro desafio. Seu apoio ao presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, ainda não demonstra qualquer impacto positivo no eleitorado baiano. Segundo a Quaest, Caiado registra apenas 3% das intenções de voto no estado, desempenho muito distante de Lula e insuficiente para transferir competitividade à chapa oposicionista.
Na disputa pelo Senado, o cenário também favorece o grupo governista. O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), lidera com 22% das intenções de voto, seguido pelo senador Jaques Wagner (PT), com 16%. Bem atrás aparecem Ângelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), ambos com apenas 6%.
Embora ainda exista um grande contingente de indecisos, o favoritismo inicial dos candidatos apoiados por Lula reforça o bom momento político do PT na Bahia.
É cedo para decretar qualquer resultado eleitoral. Ainda há campanha pela frente, debates e um número importante de eleitores que admitem poder mudar de voto. Mas a fotografia captada pela Genial/Quaest mostra um cenário claro: Lula mantém uma liderança amplamente consolidada entre os baianos, sua aprovação permanece elevada e sua influência política continua sendo um dos principais ativos eleitorais do estado.
Se esse ambiente permanecer até outubro, Jerônimo Rodrigues poderá reviver o roteiro de 2022 desta vez sem precisar esperar a reta final para alcançar o adversário. A eleição ainda está aberta, mas os primeiros sinais indicam que a força de Lula na Bahia continua sendo o principal motor da estratégia petista e pode transformar um empate técnico em uma vantagem decisiva até o dia da votação.

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