A tática de ACM Neto e Rodrigo Hagge em Itapetinga: 'não ataquem Lula'

Na terra da pecuária, o dilema da oposição é pisar em ovos: como atrair votos sem cutucar a onça (ou o presidente Lula) com vara curta.

Campanha de aliados de ACM Neto em Itapetinga quer evitar ataques a Lula
A Campanha de aliados de ACM Neto em Itapetinga quer evitar ataques ao presidente Lula.

Se há uma coisa que a política nos ensina com cicatrizes, é que jamais se deve subestimar o adversário muito menos a memória das urnas. Com esse espírito de cautela misturado com calafrios políticos, o grupo anti-lulista de Itapetinga se prepara para ir às ruas em busca de votos para seus candidatos.

A ordem no QG da oposição é clara para evitar a repetição do trauma de 2022. Naquela eleição, o cenário pintado de bolsonarismo convicto na "Capital da Pecuária" derreteu diante da realidade das urnas. Muitos juravam que a cidade era um reduto inabalável de Jair Bolsonaro, mas o resultado das urnas foi uma lição de humildade: Lula venceu em Itapetinga e, na sequência, derrotou o então presidente na disputa nacional.

Enquanto os candidatos a deputado atrelados à direita penaram para pontuar, os aliados do PT garantiram o espólio lulista. Errar uma vez é estratégia; errar duas é convite para a irrelevância.

A ginástica retórica dos aliados de ACM Neto (União Brasil) e do ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB) no município começa na prancheta nacional. Embora os remanescentes do bolsonarismo local ainda sonhem com os tempos de gestão do ex-presidente, a realidade imposta pela cúpula é bem menos romântica. ACM Neto, ao apoiar o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, tenta blindar palanques regionais para evitar que o fogo cruzado de Brasília contamine a disputa estadual.

A tática de desviar de polêmicas nacionais já deu as caras no debate da TV Bandeirantes, quando tentativas de provocar ACM Neto a atacar Lula foram habilmente dribladas pelo ex-prefeito de Salvador.

É o prelúdio de uma campanha onde cada palavra será pesada em gramas de ouro ou melhor, em votos.

O grande nó górdio da campanha em Itapetinga será administrar a base mais fervorosa da extrema-direita local, algo que na prática prejudica mais o opositor Rodrigo Hagge (PSDB) que necessariamente ajuda.

Decisão de Rodrigo Hagge de continuar com Antônio Brito volta a preocupar Eduardo Hagge 

Como explicar para o eleitorado apaixonado nas redes sociais que o alvo predileto o presidente Lula não pode ser atacado na esquina, sob o risco de afastar o eleitor lulista que maioria na cidade?

Domingo (16), começa o acerto de contas no Clã Hagge entre sobrinho e tio 

Enquanto a cúpula tenta o "aviso prévio às polêmicas", resta saber como os cabos eleitorais ligados a Rodrigo e Neto vão equilibrar o discurso sem perder a compostura (nem os votos) no terreiro político de Itapetinga. Afinal, em eleição com alma nacional, pisar em ovos virou esporte olímpico. Os próximos dias prometem cenas fortes e muita ginástica retórica para não perder o rebolado político.