Sem obras próprias, Eduardo Hagge quer vestir a camisa das construções de Jerônimo e Lula em Itapetinga

Na falta de planejamento, a publicidade oficial tenta colar no prefeito de Itapetinga o brilho de entregas federais e estaduais, enquanto contratos milionários com marmitas, consultorias e terceirizados dominam o orçamento.

Sem obras próprias, Eduardo Hagge quer vestir a camisa das construções de Jerônimo e Lula em Itapetinga
Prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB), é aconselhado a vista periódicas nas obras estaduais na tentativa de colocar em sua administração. 

Na política, há quem construa palanques com tijolos, cimento e suor da própria gestão. E há quem prefira subir em uma laje alheia, colocar o capacete de segurança e acenar para o horizonte como se o mérito fosse todo seu. É exatamente esse o retrato que se desenha em Itapetinga sob a batuta do prefeito Eduardo Hagge (MDB).

Sem apresentar uma única obra de relevo para chamar de sua após quase dois anos de mandato, a administração municipal parece ter descoberto uma nova vocação: a engenharia de pegar carona.

A estratégia de comunicação turbinada por novos apoiadores e por um esforço publicitário monumental tenta colar na imagem do prefeito as marcas de investimentos que vêm de cima. É o caso do hospital e da clínica regional, frutos de uma decisão do governo estadual comandado por Jerônimo Rodrigues (PT) para desafogar o crônico gargalo das regulações de pacientes na região. As obras são bem-vindas, claro. O que incomoda é a narrativa: nas redes sociais, o esforço é omitir a autoria estadual para jogar a paternidade da iniciativa no colo do prefeito municipal.

Com o programa Minha Casa, Minha Vida, a tarefa de apropriação é um pouco mais difícil. Afinal, as 200 unidades habitacionais levam a assinatura inconfundível do governo federal do presidente Lula (PT), marca consolidada na memória popular que dispensa apresentações até para os mais desavisados. Ainda assim, tenta-se criar a atmosfera de que tudo faz parte de um grande ecossistema de entregas da própria prefeitura de Itapetinga.

O problema dessa engenharia retórica é o abismo que existe entre a pose para a foto e a realidade administrativa. Enquanto o prefeito posa de chapéu de obra alheia, a gestão municipal patina na inoperância estrutural.

O diagnóstico de despreparo e falta de planejamento salta aos olhos quando se analisam os números do orçamento. Em vez de investir em infraestrutura própria para a cidade com recursos públicos robustos, a gestão prefere canalizar centenas de milhões para contratos de terceirização de pessoal que ultrapassam a marca dos R$ 40 milhões.

A criatividade orçamentária não para por aí. Os gastos se espalham por faturas curiosas e questionáveis: consultorias fragmentadas: somadas, ultrapassam a cifra de R$ 1,5 milhão. Marmitas e lanches: uma impressionante contratação de R$ 3 milhões para o fornecimento de alimentação para as secretarias municipais.


Tudo isso temperado por contratos que já viraram alvo de denúncias e que acumulam questionamentos formais no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM).

No fim das contas, vestir a camisa dos outros pode até render boas fotos para o álbum de campanha, mas não esconde a falta de prumo de uma gestão que gasta milhões com o supérfluo e deixa a cidade órfã de realizações genuinamente próprias.

É vida que segue...