Ideon consegue no TCM impedir que prefeito de Itapetinga faça compras de material de construção sem licitação

Decisão monocrática do Tribunal de Contas freia dispensas de licitação da gestão Eduardo Hagge, vistas como manobras ilegais para beneficiar empresas amigas.

Ideon consegue no TCM impedir que prefeito de Itapetinga faça compras de material de construção sem licitação
Prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB).

O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM) colocou o foco sobre a Prefeitura de Itapetinga. Em decisão monocrática assinada pelo conselheiro Plínio Carneiro Filho, a Corte acatou os argumentos da empresa Ideon Gonçalves de Oliveira Ltda. e emitiu uma medida cautelar determinando que o prefeito Eduardo Hagge (MDB) se abstenha de prorrogar qualquer dispensa de licitação voltada para a aquisição de materiais de construção.

A medida freia os movimentos da gestão municipal que, segundo os autos do processo e-TCM nº 31980e25, cancelou um pregão regular e optou por realizar contratações diretas por dispensa de licitação ao longo de 2025.

O conflito teve início quando a administração municipal optou por cancelar um processo licitatório legítimo que garantia o fornecimento de materiais para o município. No entanto, nos meses seguintes, a prefeitura recorreu a dispensas de licitação incluindo contratos firmados no final de 2025 que somam quase R$ 800 mil sob a justificativa de situação de emergência, que não existia.

O QUE PENSA: caso IDEON pode levar Eduardo Hagge à rejeição de contas já no 1º ano de seu governo 

Em maio de 2024, ainda sob a gestão anterior (do então prefeito Rodrigo Hagge), a Prefeitura de Itapetinga assinou um contrato de R$ 1,4 milhão com a empresa Ideon Gonçalves de Oliveira para fornecimento de materiais de construção. Pregão legítimo, concorrência pública, tudo dentro das regras.

Aí Eduardo Hagge assume. E o que faz? Cancela o contrato. Sem justificativa técnica plausível. Sem aviso prévio consistente. Num gesto que mais pareceu um jogo de cartas marcadas.

Até aí, poderíamos chamar de "erro de principiante". Mas aí vem o segundo ato.

Quatro meses depois de cancelar a licitação, a prefeitura decreta estado de emergência para comprar... os mesmos materiais de construção.

Três dispensas de licitação foram publicadas no fim de 2025, somando quase R$ 780 mil. As favorecidas? RS Perez & Cardozo (R$ 448.375,30), Palmas Luz Distribuidora (R$ 238.717,60) e Mineradora Monte Santo (R$ 92.320,00).

Para o TCM, os requisitos legais para o uso de dispensas não se sustentaram, levantando suspeitas sobre o fracionamento de despesas e o direcionamento de contratos a outras empresas. Com a cautelar deferida, a administração municipal fica obrigada a suspender imediatamente a prorrogação dessas dispensas e a reorganizar o modelo de compras para garantir a continuidade dos serviços públicos essenciais sem ferir a legislação.

Na mira do TCM: prefeito Eduardo Hagge é notificado por gastos suspeitos com material de construção

A decisão do TCM agrava um cenário político e administrativo já delicado para a gestão de Eduardo Hagge. Com processos acumulados no tribunal envolvendo desde compras de combustíveis e pneus até aditivos contratuais, a pressão sobre o Executivo municipal cresce.

O prefeito tem o prazo de 20 dias, contados a partir de 11/08/2026, da publicação no Diário Oficial Eletrônico do TCM/BA, para apresentar sua defesa técnica e esclarecer as irregularidades apontadas pelo relator.