Enquanto o Ministério Público viu a saúde pública enfrentar faltas e demoras, prefeitura investiu R$ 3,6 milhões em um São João de altos cachês. TCM recusa suspensão, mas mantém investigação em aberto.
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| Prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB) e sua equipe no anuncio das atrações para o São João 2026. |
Em Itapetinga, a festa de São João custou R$ 3,6 milhões aos cofres públicos. O problema é que, nesse mesmo período, o Hospital Municipal Virgínia Hagge estava com salários atrasados, postos de saúde sem médicos suficientes e filas enormes para marcação de exames médicos sem sucesso.
O Ministério Público de Itapetinga viu essa situação e pediu ao Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM) que suspendesse os pagamentos dos artistas após identificar altos cachês para os shows. Mas o TCM negou esse pedido em publicação no Diário Oficial, porque as apresentações já aconteceram entre os dias 20, 21, 22 e 27 de junho. Segundo a conselheira Aline Peixoto, não adianta mais cancelar o que já foi feito.
Mesmo assim, o caso não foi arquivado. O prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB) e as empresas contratadas têm 20 dias para explicar todos os gastos, mostrar os contratos e justificar os valores pagos aos artistas, com sobrepreços nos cachês artísticos.
A prefeitura de Itapetinga se defende dizendo que tudo foi feito dentro da lei, que os preços são parecidos com os de outras cidades e que o dinheiro da festa não tirou verba da saúde. A gestão também afirma que os problemas na área da saúde já estão sendo resolvidos. Uma promessa de solução distante da realidade para quem precisa da saúde.
Agora, o TCM vai analisar todas as contratações para o festejo juninos para decidir se houve irregularidade ou se os valores eram mesmo justos. Enquanto isso, a população fica na expectativa de que as explicações venham com a mesma rapidez com que os holofotes da festa se acenderam.
TCM nega pedido do MP, mas determina investigação sobre gastos de R$ 3,6 milhões no São João de Itapetinga
No fundo, o caso levanta uma pergunta difícil: como uma prefeitura de Itapetinga pode equilibrar o direito à cultura com a necessidade urgente de cuidar da saúde da população? A resposta, por enquanto, está nos papéis e nos cálculos que serão apresentados ao tribunal de contas da Bahia pelo prefeito de Itapetinga.

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