Em desespero, Tiozão Eduardo Hagge ameaça expor Rodrigo Hagge com suposto dossiê

Após levar uma surra nas urnas e amargar a perda de prestígio, Eduardo Hagge apela para supostas auditorias secretas na tentativa desesperada de enquadrar o sobrinho e ex-prefeito de Itapetinga.

Em desespero, Tiozão Eduardo Hagge ameaça expor Rodrigo Hagge com suposto dossiê
Prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB),

Política em cidade do interior costuma ser um prato cheio para quem gosta de um bom drama, mas o que vem acontecendo em Itapetinga já ultrapassou os limites do bom senso e virou um verdadeiro pastelão de família. De um lado, o atual prefeito Eduardo Hagge (MDB), o famoso “Tiozão”; do outro, seu próprio sobrinho e ex-prefeito, Rodrigo Hagge (PSDB). O problema? O tio resolveu medir força política com o sobrinho nas últimas eleições e acabou saindo do pleito menor do que entrou.

O vexame foi público e notório. No primeiro turno, Eduardo resolveu testar sua capacidade de transferência de votos. O resultado? Uma surra eleitoral inesquecível: os candidatos apadrinhados pelo sobrinho massacraram os nomes apoiados pelo Tiozão nas urnas da cidade. É bem verdade que Rodrigo também não tem muito o que comemorar em nível estadual e nacional, já que a maioria dos seus aliados perdeu no quadro geral. Mas na disputa caseira, no quintal de casa, o sobrinho deu uma aula de articulação sobre o tio.

Aí veio o segundo turno e, com ele, a tentativa desesperada de pular na onda alheia. Enquanto Rodrigo abraçou a candidatura de Flávio Bolsonaro, Eduardo decidiu vestir o figurino petista e colar em Lula. Quando as urnas confirmaram a virada do PT na cidade, o Tiozão ensaiou um sorriso no pódio. Mas sejamos honestos: colocar a vitória do PT em Itapetinga na conta de Eduardo Hagge é forçar a barra além do suportável. O povo foi às ruas por medo de retrocesso, por mobilização jovem e pelo fantasma do bolsonarismo, em uma onda nacional que nada teve a ver com o carisma bastante questionável, diga-se de passagem do atual prefeito.

O troféu não é de Eduardo Hagge: Itapetinga virou lulista pela onda nacional anti-bolsonarista 

Vendo o trono balançar e percebendo que a reeleição corre sério risco, o Tiozão decidiu partir para o conhecido golpe abaixo da cintura. Vazou recentemente no site Políticos do Sul da Bahia a informação de que Eduardo estaria prestes a "tirar da gaveta" relatórios de auditorias escondidas sobre as gestões do sobrinho.

A pergunta que fica é: que auditoria?

Uma busca minuciosa no Diário Oficial de Itapetinga não revela nem sombra de empresa especializada contratada para fazer qualquer devassa nas contas públicas. O que se encontra por lá é uma coleção generosa de contratos de consultorias advocatícias que, somados, chegam perto da bagatela de R$ 1,1 milhão.

Ou seja: tudo indica que a tal auditoria é um grande e ruidoso blefe. Uma carta marcada sacada do bolso por quem está em clara desvantagem na mesa de jogo.

Mas vamos dar o benefício da dúvida. Suponhamos que o documento exista e que o prefeito realmente tenha guardado no armário denúncias graves contra o ex-prefeito. Nesse caso, a situação do Tiozão fica ainda pior. Guardar provas de irregularidades na gaveta para usar apenas como chantagem eleitoral não é jogada política: é crime de omissão de agente público. Lugar de suspeita de irregularidade municipal é no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) ou no Ministério Público, e não sob a chave do gabinete do prefeito esperando o momento certo de virar voto.

Entre blefes de R$ 1 milhão, auditorias fantasmas e puxões de tapete em família, Eduardo Hagge demonstra uma fragilidade política impressionante para quem ocupa a cadeira principal da cidade. Em vez de governar e mostrar liderança, prefere a tática do desespero. Resta saber se a população de Itapetinga vai continuar assistindo a essa lavagem de roupa suja como plateia ou se vai dar o troco definitivo nas próximas urnas.