A mobilização histórica do petismo, o barulho da oposição bolsonarista e as manobras dos políticos locais no último ato da corrida presidencial.
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| Apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro vão as ruas nas vésperas da eleição do domingo, 25. |
Neste domingo de urnas abertas e nervos à flor da pele, o Brasil para escolher seu próximo presidente. Mas, antes mesmo do primeiro eleitor digitar o voto nas seções de Itapetinga, as ruas já haviam dado o seu recado. A reta final da campanha na cidade não foi apenas um termômetro eleitoral: foi um verdadeiro retrato das divisões, estratégias e contradições da política local e nacional.
Na sexta-feira, 23, o cenário foi de quebra de recordes. A chamada “Caminhada da Virada” fez história ao se consolidar como a maior manifestação em uma campanha presidencial já registrada no município. Do bairro Nova Itapetinga até o Parque Poliesportivo da Lagoa, o ato pró-Lula (PT) reuniu uma multidão que costumava aparecer apenas em disputas a prefeito.
O que mais chamou a atenção no ato pró-Lula não foi só a quantidade da manifestação, mas o perfil: uma forte e vibrante presença de jovens, misturada a beneficiários de programas sociais e militantes históricos da cidade, muitos nascido do partidarismo do PC do B de Itapetinga. A caminhada contou com o peso político do governador reeleito Jerônimo Rodrigues (PT), deputado e prefeito da cidade.
Em Itapetinga, PT adota tática de virada ‘lulista’ e não petista
O atual prefeito, Eduardo Hagge (MDB), até ensaiou surfar na onda do ato recorde, mas a rua deixou claro que a energia vinha do engajamento orgânico do eleitorado lulista, fortalecido no segundo turno.
Já no sábado, 24, a direita local tentou reagir. Sob o comando do ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB), sobrinho do atual prefeito, os apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) organizaram o chamado “Bloquinho 22”. A mobilização trouxe nomes conhecidos do cenário baiano, como o ex-candidato ao governo derrotado nesse pleito ACM Neto (União Brasil) e João Roma (PL), que não garantiu a vaga ao senado.
Em um trajeto bem mais curto saindo da praça Dairy Walley rumo à Lagoa, os bolsonaristas fizeram barulho. No entanto, em termos numéricos, o público foi visivelmente menor se comparado ao ato lulista do dia anterior. Ficou a nítida impressão de um ato pensado mais para "marcar território" e evitar que o impacto da caminhada petista reinasse sozinho no debate da cidade do que propriamente uma demonstração de força.
A empolgação de lado a lado esbarra na dura realidade dos números do primeiro turno em Itapetinga. Lula venceu na cidade com 52,70% dos votos válidos (19.382 votos), contra 42,53% (15.640 votos) de Flávio Bolsonaro uma vantagem confortável de mais de 10 pontos percentuais.
Mesmo na hipótese de Flávio herdar a totalidade dos votos de todos os outros candidatos de direita no município (Escritor Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Zema, que juntos somaram 1.703 votos), o bolsonarismo alcançaria 17.343 votos. O montante ainda ficaria bem abaixo do teto já atingido pelo petista na primeira rodada.
A expectativa entre os aliados de Lula em Itapetinga é de ampliar ainda mais essa margem neste domingo. Resta saber se o barulho das carreatas e o corpo a corpo dos últimos dias serão capazes de alterar a matemática das urnas ou se apenas confirmaram o favoritismo desenhado desde o primeiro turno.

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