Na terra onde o clã Hagge divide o palanque e a paciência do eleitor, a estrela vermelha ganha férias coletivas. O plano agora é simples: vender Lula no atacado e esconder a sigla no varejo.
![]() |
| Lula em Juiz de Fora em Minas Gerais. |
A política baiana tem dessas coisas que fariam o escritor Nelson Rodrigues pedir uma mesinha no bar para anotar tudo. Em Itapetinga, a matemática do primeiro turno deixou a militância com aquela clássica dor de cabeça de quem esperava uma festa de gala e acabou ganhando um bolinho com refrigerante quente.
Enquanto as pesquisas internas juravam de pés juntos que o presidente Lula nadaria de braçadas na cidade com direito a marola e tudo, as urnas decidiram ser um tantinho mais parcimoniosas. O resultado? Uma vitória por pouco mais de 10% de frente sobre Flávio Bolsonaro (PL): 19.382 votos (52,70%) para o petista contra 15.640 (42,53%) do bolsonarista.
Para quem contava com uma margem de oposição dobrada, o susto foi o suficiente para despertar a criatividade da engenharia política local.
Diante do enigma, o Partido dos Trabalhadores de Itapetinga tomou uma decisão drástica, daquelas que exigem fôlego e muita descaracterização de fachada: abafar o petismo e decretar o "lulismo raiz".
A lógica é cirúrgica. Na terra dos Hagge, onde a política local funciona quase como uma escritura de cartório familiar, a divisão entre o ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB) e o atual prefeito Eduardo Hagge (MDB) virou um verdadeiro cabo de guerra presidencial. Rodrigo escolheu abraçar o palanque de Flávio Bolsonaro, um movimento que já está deixando os eleitores "gabirabas" alinhados a Lula com os cabelos em pé. Em contrapartida, o atual prefeito apelidado de "Tiozão" já cravou seu voto no homem do Planalto.
O risco do salto alto: Rodrigo Hagge entre o bolsonarismo e o grupo gabiraba lulistas
É aí que entra a grande sacada de marketing: tirar a estrela do partido da vitrine. Ao focar exclusivamente na figura de Lula e esconder a sigla do PT, a campanha tenta furar a bolha e neutralizar o famoso antipetismo que ainda faz muita gente torcer o nariz na rcidade. Afinal, por que brigar pela marca quando se pode surfar na imagem do "pai dos pobres"?
Mas o plano de voo não para por aí. Os estrategistas locais identificaram dois outros fatores cruciais para o segundo turno.
O primeiro é o diagnóstico de que muitos eleitores lulistas simplesmente ficaram em casa no primeiro turno, confusos com a dinâmica de votar apenas para presidente (já que o governo estadual na Bahia já havia sido resolvido no primeiro turno com Jerônimo). O objetivo agora é resgatar esse eleitorado especialmente os idosos e pessoas de baixa escolaridade mostrando que a urna não é um bicho de sete cabeças.
Para completar o cenário de reviravolta, a rua começou a falar mais alto. A onda de manifestações pró-lula protagonizada por estudantes tem arrastado multidões, criando aquela sensação térmica de virada que costuma tirar o sono de qualquer marqueteiro adversário. Na trincheira de Flávio Bolsonaro, o clima que antes era de salto alto agora começa a se parecer perigosamente com uma sala de espera de dentista.
Em Itapetinga, ao que parece, a ordem é clara: vale tudo pelo voto, desde que ninguém pergunte onde foi parar a estrela solitária vermelha.

Social Plugin