Goleado por Rodrigo Hagge, Tiozão quer revidar com Lula ao conquistar gabirabas lulistas; ex-prefeito apoia Flávio

Após levar uma goleada histórica do sobrinho no primeiro turno, Eduardo Hagge aposta no fantasma do corte de benefícios sociais e na força de Lula em Itapetinga para dar o troco na reta final.

Goleado por Rodrigo Hagge, Tiozão quer revidar com Lula ao conquistar gabirabas lulistas; ex-prefeito apoia Flávio
Clã Hagge entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno.

A política de Itapetinga parece ter decidido adotar o estilo drama familiar, reviravoltas dignas de roteiro de cinema e, claro, aquele toque de ironia fina que só uma boa briga de clã consegue proporcionar.

Depois de assistir à apuração do primeiro turno com a exata sensação de quem entrou em campo para jogar futebol americano e acabou atropelado por um trator, o atual prefeito Eduardo Hagge (MDB), carinhosamente apelidado de Tiozão, agora enxerga a luz no fim do túnel. E essa luz, ironicamente para a tradicional dinastia Hagge, tem o brilho da estrela do PT.

Para quem não acompanhou o placar, a "batalha do clã Hagge" terminou em goleada a favor do sobrinho e ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB). No primeiro turno, o garoto prodígio da família não vestiu a camisa do bolsonarismo, e não quis desafiar a lógica de uma terra historicamente lulista. Mas, na reta da eleição, empolgado com os velhos tempos de 2018, quando Jair Bolsonaro venceu na "Capital da Pecuária" surfando na crista de uma onda nacional e de uma comoção sem precedentes da facada, Rodrigo achou que bastava repetir a dose.

Rodrigo Hagge humilha prefeito Eduardo Hagge nas urnas de Itapetinga

O pequeno detalhe que o ex-prefeito esqueceu é que os ponteiros do relógio giraram. Em 2026, não há onda, não há fatos extraordinários e, convenhamos, apostar todas as fichas no bolsonarismo em uma cidade com mais de 18 mil beneficiários de programas sociais do governo federal é o equivalente político a assinar um atestado de coragem (ou de miopia estratégica). Não à toa, no primeiro turno, Lula (PT) venceu com quase 20 mil votos nas urnas locais.

É aí que entra a sagacidade e o alívio disfarçado do Tiozão.

Enquanto Rodrigo comemorava a vitória anterior e decidiu apostar publicamente em Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno, Eduardo Hagge viu o cavalo arreado passar bem na sua porta. Afinal, o DNA político da família foi construído no embalo do inesquecível Michel Hagge, pai de Eduardo. E o que restou desse legado "gabiraba"? Uma maioria esmagadora de eleitores que dependem diretamente do Bolsa Família, do vale-gás, do programa Pé-de-meia, dos descontos na conta de luz e da tranquilidade de ver aposentadorias garantidas.

Agora, o clima nos bastidores é de puro suspense dramático. Com o medo generalizado de que uma eventual vitória da direita corte esses cabos umbilicais de sobrevivência das famílias pobres de Itapetinga, o Tiozão quer ir à forra. A estratégia é simples e cáustica: deixar o sobrinho tropeçar no próprio salto alto.

Se Lula virar o jogo em âmbito nacional e confirmar a preferência histórica dos itapetinguenses nas urnas do segundo turno, Rodrigo Hagge corre o risco de levar um verdadeiro "soco de esquerda" bem na mandíbula eleitoral. Para o Tiozão Eduardo, a vitória do presidente não será apenas nacional; será o doce sabor da desforra familiar, transformando a humilhação do primeiro turno em uma festa comemorada em dobro no gabinete.

É vida que segue...