Sangue, Suor e Sobrinho: Em Itapetinga, a urna vira ringue familiar no clã Hagge, e o tio prova o amargo gosto do fogo amigo.
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| Com os candidatos do ex-prefeito Rodrigo Hagge superando os do prefeito Eduardo Hagge o clima é de medir força política na cidade. |
Dizem que a política é a arte de engolir sapos, mas em Itapetinga o cardápio do atual prefeito, Eduardo Hagge, foi bem mais indigesto neste domingo: um banquete de humilhação servido diretamente pelo próprio sangue. Se o restante da Bahia festejava a vitória estrondosa do governador Jerônimo Rodrigues (PT) atropelando ACM Neto com mais de um milhão de votos de frente no primeiro turno, na Terra da Gado a festa petista teve um gosto agridoce, ou melhor, puramente amargo para a Prefeitura Municipal.
Afinal, como explicar o fenômeno de um prefeito sentado na cadeira de chefe do Executivo, munido de todas as benesses e promessas que a Prefeitura de Itapetinga poderia despejar, conseguir o prodígio de perder dentro de casa para quem já havia desocupado o gabinete?
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O ex-prefeito e sobrinho prodígio, Rodrigo Hagge (PSDB), deu uma verdadeira aula magna de capilaridade política ou, traduzindo para o bom baiano, uma surra democrática memorável. Sob os olhares espantados de uma súcia de auxiliares atônitos, Rodrigo provou que quem manda na máquina de votos não é quem tem a caneta, mas quem tem a bênção das urnas.
O roteiro beira o realismo fantástico. O tio, que só senta na cadeira de prefeito graças à escada construída pelo sobrinho na eleição passada, viu-se completamente apequenado. Não bastasse ver o rival ACM Neto liderar a preferência na cidade sob a influência direta do ex-prefeito, Eduardo ainda teve que engolir a oposição devorando os candidatos ao Senado petistas. João Roma e Ângelo Coronel fizeram um verdadeiro festim com os votos itapetinguenses, enquanto os aliados do prefeito assistiam da arquibancada.
No tabuleiro legislativo, o vexame municipal ganhou contornos de humilhação esportiva. O deputado estadual apoiado por Rodrigo, Wagner Alves (União), beliscou a segunda colocação, deixando o candidato do tio relegado a um melancólico terceiro lugar. Na Câmara Federal, a humilhação foi completa: Antônio Brito (PSD) e Roberta Roma (PL), ambos na órbita de influência do implacável sobrinho, craquejaram o primeiro e o segundo lugares na cidade.
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Restou a Eduardo Hagge o quê? O consolo melancólico de surfar na onda nacional do padrinho Lula, que bateu quase 20 mil votos válidos na cidade. Um feito previsível até para quem estuda política na calçada.
De resto, o prefeito ficou no "fiado" com o governador Jerônimo reeleito. Ofereceu-se o que o Estado tinha direito, mas a retribuição local foi uma coletânea de derrotas. Comemorar acanhado a vitória estadual da qual não construiu um tijolo sequer é o retrato fiel de um gestor nanico diante do próprio quintal.
Em Itapetinga, a lição de casa foi dada: o poder coroa quem tem votos, e o trono, quando emprestado, cobra juros altíssimos. Resta saber se o tio, agora refém da própria árvore genealógica, terá estômago para governar sabendo que quem dita as regras do jogo mora logo ali na porta ao lado.
É vida que segue...

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