Naufrágio na Reta Final: como João Roma perdeu o passo e deixou o caminho livre para Rui e Wagner

Enquanto a direita tropeça nos próprios erros e vê Ângelo Coronel assumir o terceiro posto, Rui Costa e Jaques Wagner nadam de braçadas rumo ao Senado na última pesquisa Quaest.

Em uma Bahia Lulista, Ex-ministro de Jair Bolsonaro, João Roma (PL), não resiste, e candidatura ao senado derrete.

A política baiana tem dessas coisas: é um tabuleiro complexo onde quem vacila na largada, despenca na chegada. Na reta final da corrida pelas duas vagas ao Senado Federal, a última pesquisa da Quaest desenhou um cenário de fortes contrastes, revelando o tamanho do revés sofrido pelo candidato bolsonarista João Roma (PL). O que era uma aposta de palanque forte evaporou no calor da urna, culminando em um derretimento político que custou caro ao ex-ministro.

Se olharmos friamente para os números de votos válidos da pesquisa, a situação de João Roma salta aos olhos e não por bons motivos. Com 17%, ele viu o senador Ângelo Coronel (Republicanos), que vinha correndo por fora, ultrapassá-lo e cravar 18%. Mais do que uma simples inversão de posições, essa ultrapresagem simboliza o esvaziamento de uma narrativa que não conseguiu fincar raízes consistentes no eleitorado baiano quando a bota apertou na reta decisiva.

Mas o buraco da oposição é ainda mais embaixo. Enquanto a ala anti-petista esperava unificar forças ou ao menos fazer frente aos donos da casa, o que se vê é um abismo intransponível. A dupla formada por Rui Costa (33%) e Jaques Wagner (30%), ambos do PT, opera em outra rotação na liderança isolada dos votos válidos. Nem mesmo a fatia do eleitorado resistente ao partido conseguiu se aglutinar em torno de uma alternativa viável que fizesse frente à hegemonia vermelha.

Jerônimo vira o jogo na reta final e pode liquidar a fatura no primeiro turno 

No agregado dos votos totais, o reflexo desse movimento fica ainda mais claro. Enquanto Rui e Wagner consolidaram suas marchas de crescimento com Wagner saltando expressivamente de 17% para 24% nas intenções totais comparado ao levantamento anterior, Roma e sua base viram o sonho de reverter o placar vir fumaça. Para piorar a situação do PL, o eleitorado parece ter batido o martelo: 84% afirmam que a decisão de voto é definitiva, deixando pouquíssima margem para milagres de última hora.

O veredito das urnas que se desenha para este domingo é um duro recado sobre pragmatismo político na Bahia. João Roma tropeçou na própria estratégia e entregou o protagonismo da centro-direita a Coronel, enquanto o PT assiste, de camarote e com larga vantagem, à provável confirmação de suas duas cadeiras no Senado. Na política, como na física, o vácuo não perdoa e a oposição baiana descobriu isso da pior maneira.