Multidões nas ruas e atos espontâneos da esquerda acendem o alerta vermelho no PL, que aposta em demonstração de força na Avenida Paulista para conter avanço de Lula na reta final do segundo turno.
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| Comício de Lula na avenida paulista em São Paulo, estima-se maior publico das eleições presidenciável. |
O Partido Liberal (PL) entrou em estado de alerta máximo na reta final da disputa presidencial. O motivo que tirou o sono da cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro não veio apenas das planilhas de tracking ou dos institutos de pesquisa, mas das ruas: uma onda de manifestações populares pró-Lula tomou capitais e dezenas de cidades brasileiras, com destaque para a Avenida Paulista, em São Paulo, e a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
O que assusta os estrategistas bolsonaristas é a constatação de que os atos parecem ter furado a tradicional bolha da esquerda.
Analistas políticos e profissionais de campanha reconhecem em reservado que a adesão expressiva de estudantes, jovens e o caráter espontâneo das mobilizações distantes do antigo rótulo de eventos estritamente corporativos ou engessados pela máquina partidária começam a dialogar com a chamada “turma do meio”, o eleitorado independente que define eleições.
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A apreensão ganhou tração após a repercussão das colunas de análise política, como a de Bela Megale, no jornal O Globo. Nos bastidores do PL, marqueteiros e responsáveis pelos levantamentos estatísticos avaliam que a dinâmica da corrida presidencial mudou de ritmo. A leitura é cirúrgica: se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantiver o ímpeto de crescimento nas pesquisas até o fim da semana, o risco de uma virada histórica no segundo turno deixa de ser uma hipótese remota para se tornar uma ameaça real.
Para tentar neutralizar o impacto visual e político das manifestações adversárias, a ordem na cúpula do partido foi dobrar a aposta.
Flávio Bolsonaro convocou às pressas os seus apoiadores para um ato na Avenida Paulista agendado para o próximo domingo (18).
Contudo, o desafio logístico e político é monumental: a campanha tem a obrigatoriedade de "despejar" multidões no asfalto paulistano. Caso contrário, o revés simbólico poderá consolidar a percepção de minguamento das chances bolsonaristas na etapa decisiva, sobretudo diante de uma militância governista que demonstra fôlego contínuo inclusive com clara dominância nas narrativas e engajamento nas redes sociais.
Outro elemento de forte preocupação que aterroriza os diretórios regionais do PL é a desmobilização de cabos eleitorais de peso.
Com as disputas para os governos estaduais já definidas no primeiro turno em cerca de 20 estados, campanhas locais de deputados, senadores e governadores aliados perderam o senso de urgência, reduzindo o ritmo de engajamento na ponta.
Sem o forte apelo local dos palanques estaduais, os estrategistas do PL temem que a base conservadora fique apática e desestimulada a comparecer às urnas no dia 25 de outubro.
Enquanto a esquerda surfa na onda da mobilização nacional e pautas de forte apelo social como a discussão sobre a jornada de trabalho, a campanha de Flávio corre contra o tempo para reenergizar sua tropa, evitar o fantasma da abstenção e mostrar que o jogo continua aberto até o último minuto.

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