‘Foi ela’: aliados de Eduardo Hagge atribuem à mãe do prefeito a culpa pelo fiasco na eleição

Crônica de uma eleição anunciada: A Culpa É (Sempre) da Mamãe! Em meio a boatos que cabeças vão rolar na Prefeitura de Itapetinga após derrotas.

‘Foi ela’: aliados de Eduardo Hagge atribuem à mãe do prefeito a culpa pelo fiasco na eleição
Dona Iracema Hagge matriarca da clã político dos Hagge recepciona a chegada de ACM Neto em Itapetinga.

É comovente ver a criatividade dos derrotados. Quando as urnas decidem falar a verdade nua, crua e sem filtro, a primeira reação da política profissional nunca é fazer um exame de consciência. Não, senhor. A regra básica do manual do sobrevivente político é bem mais prática: achar um bode expiatório com urgência, de preferência dentro de casa.

E em Itapetinga, a sempre animada "Guerra dos Hagge", o alvo da vez surpreendeu até os mais cínicos cronistas de plantão. A culpa pelo fiasco eleitoral local do atual prefeito, Eduardo Hagge (o carinhosamente apelidado de "Tiozão"), não é da gestão, não é das alianças trocadas, não é do vento desfavorável. Segundo os aliados mais ensandecidos do prefeito, a responsabilidade pelo vexame nas urnas itapetinguenses é de quem? Da mãe do prefeito.

Sim, meus caros. Dona Iracema Hagge cometeu o pior crime que um político pode enfrentar: teve a audácia de ser mãe e avó ao mesmo tempo. Enquanto o cenário macro estadual coroava os vitoriosos oficiais do outro lado, na terrinha municipal o buraco foi muito mais embaixo. Na reta final do pleito, Dona Iracema resolveu cruzar os braços para o filho e abrir um abraço homérico em ACM Neto justamente o candidato a governador opositor, trazido a Itapetinga para uma carreata organizada por seu neto e ex-prefeito, Rodrigo Hagge (PSDB).

Foi o que bastou para o grupo "Gabiraba" aquele fiel séquito seguidor do saudoso ex-prefeito Michel Hagge olhar para a cena, piscar o olho e decretar: “Se a matriarca tomou partido pelo neto na reta final, nós também vamos”. A partir dali, a confusão familiar virou uma aula prática de como implodir uma base aliada sem precisar de dinamite.

Para quem gosta de uma boa tragédia grega com pitadas de comédia interiorana, os números de Itapetinga foram um verdadeiro banquete de contrastes. Enquanto no panorama geral da Bahia o resultado seguiu rumos diferentes, na terra da pecuária quem mandou foi o clã de Rodrigo, com a bênção explícita de Dona Iracema.

Enquanto o estado definiu seus rumos majoritários, em Itapetinga foi ACM Neto quem saiu vitorioso das urnas locais, desfrutando do embalo da recepção histórica promovida pela matriarca dos Hagge ao lado do neto Rodrigo. No Senado e na Câmara: O prefeito Eduardo viu seus candidatos afundarem no município, enquanto a máquina de votos operada pela ala de Rodrigo atropelou a situação, deixando claro quem ditava o ritmo dos "Gabirabas" na reta de chegada.

Rodrigo Hagge humilha prefeito Eduardo Hagge nas urnas de Itapetinga 

Agora, nos bastidores da Prefeitura de Itapetinga, o clima é de velório com trilha sonora de filme de suspense. O boato nos corredores é unânime entre vereadores de situação e oposição: o grande vitorioso da queda de braço municipal atende pelo nome de Rodrigo Hagge, enquanto o prefeito Eduardo sai da contenda politicamente nanico, enfraquecido e com reflexos gravíssimos já vislumbrados para a sucessão de 2028.

Antes que a guilhotina administrativa comece a rodar para justificar os empregos perdidos e o prestígio derretido, a tropa de choque do Tiozão já encontrou a narrativa perfeita para salvar a própria pele. Afinal, é muito mais fácil explicar para o espelho que a derrota local foi obra de Dona Iracema do que admitir que o eleitor mandou o projeto político deles para o espaço.

Urnas de Itapetinga: ACM Neto vence Jerônimo por 426 votos de frente, em derrota para o prefeito 

Resta saber se, na próxima festa de família dos Hagge, o almoço de domingo vai ser servido com direito a tribunal de exceção ou se o Tiozão vai pedir a benção à mãe antes de reclamar da urna. Uma coisa é certa: em Itapetinga, a política é de tirar o chapéu... ou melhora dizer, de escolher a qual neto a vovó vai abraçar.