Sem a grana dos deputados, 2º turno em Itapetinga será de campanha fria

Quando o dinheiro some, a política esfria: a geografia eleitoral de Itapetinga revela o que ninguém quer admitir em voz alta. 

Imagem do comício do governador Jerônimo Rodrigues (PT) em Itapetinga, por trás do grande números de pessoas, os candidatos a deputados.

Se você, ainda acredita que o segundo turno das eleições presidenciais vai pegar fogo por aqui, com direito a buzinaço, carreata e aquela multidão suada gritando palavras de ordem nas ruas e avenidas, sente-se. Respire. E prepare-se para a decepção. 

Porque a verdade, aquela que os marqueteiros escondem atrás dos sorrisos ensaiados e dos jingles grudentos, é uma só: sem a grana dos deputados, o segundo turno em Itapetinga será frio. Gélido. Um verdadeiro freezer eleitoral. 

E não é achismo. É matemática.

Para quem acha que o primeiro turno foi "quente" por causa do amor à pátria, da paixão ideológica ou daquele discurso inflamado nos grupos de WhatsApp, sinto informar: o que turbina campanha de rua em eleição geral não é coração. É grana.

Grana dos candidatos a deputado estadual e federal. Aquela grana que motoriza, motiva e, convenhamos, compra a disposição dos chamados "cabos eleitorais" ou, para usar um termo menos elegante, os profissionais da caminhada. Não é pouca grana. É muita. É a grana que faz girar a indústria dos votos, esse mercado paralelo que move a democracia brasileira com a eficiência de uma multinacional.

Aqui em Itapetinga, mais de 100 candidatos a deputado estadual e federal tiveram votos na cidade. Alguns com seu exército de apoiadores. Cada um com sua promessa. Cada um com seu orçamento. 

E os que tiveram mais de 300 votos, ah, esses tiveram custo. Custo alto. Custo que se estima, no agregado das candidaturas que se destacaram, em mais de R$ 30 milhões de reais circulando nos bolsos dos apoiadores locais.

Trinta milhões. Em Itapetinga. Para buscar votos.

E de onde veio essa fortuna? A maior parte dos fundos partidários, é claro. Dos bilhões de reais dos contribuintes, você, eu, o trabalhador que acorda às cinco da manhã que financiam essa festa chamada eleição.

No primeiro turno, Itapetinga fervia. Ruas movimentadas, carreatas intermináveis, santinhos voando, grupos de WhatsApp explodindo. Os cabos eleitorais, coitados, trabalhavam. Mas trabalhavam remunerados. E remunerados bem para uns e mal pagos para outros.

Na Bahia a fatura eleitoral foi fechada no 1 turno. O PT levou o governo e as duas vagas para o Senado, foram os grandes vitoriosos do estado. E, com a vitória, veio, a conta foi paga. O caixa fechou. A torneira secou.

Agora, no segundo turno, o que resta é a disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) vs. Lula (PT). E aqui, a coisa muda de figura.

Por mais que os apoiadores tentem colocar seus blocos nas ruas, por mais que os militantes de plantão tentem fingir que a chama ainda arde, a verdade é uma só: sem a grana dos deputados, não há milagre.

A grana dos deputados, nessa hora, faz muita falta. Faz uma falta cruel. Faz uma falta que expõe a nudez do processo eleitoral brasileiro: sem dinheiro, a militância some. Sem dinheiro, o entusiasmo esfria. Sem dinheiro, a rua fica vazia. 

Goleado por Rodrigo Hagge, Tiozão quer revidar com Lula ao conquistar gabirabas lulistas; ex-prefeito apoia Flávio

O ex-prefeito Rodrigo Hagge fez um ensaio de apoio a Flávio Bolsonaro. Um ensaio. Como quem testa a temperatura da água antes de mergulhar. Já o seu tio, o atual prefeito, deve meter as caras nas ruas para pedir voto para Lula. Deve. Mas tudo indica que, na reta final, nem o tiozão com a Prefeitura nas mãos conseguirá esquentar o que já nasceu frio.

Porque o motivo é sempre o mesmo: a falta da grana dos deputados.

Esse é o gelo. O gelo da campanha presidencial que resta para o final dessa eleição nacional. Um gelo que não vem do clima, mas da ausência. Da ausência de recursos. Da ausência de interesse. Da ausência daquilo que, no fundo, sempre moveu a política brasileira: o dinheiro.

E assim, caro leitor, Itapetinga assistirá ao segundo turno como quem assiste a um jogo de futebol sem torcida. Sem emoção. Sem calor. Sem grana.

Frio. 

É vida que segue...