O risco do salto alto: Rodrigo Hagge entre o bolsonarismo e o grupo gabiraba lulistas

Entre o salto alto do 1º turno e a onda vermelha nas ruas: por que os aliados alertam que embarcar na canoa de Flávio Bolsonaro pode custar o futuro político do ex-prefeito.

O risco do salto alto: Rodrigo Hagge entre o bolsonarismo e o grupo gabiraba lulista
Bolsonarista de Itapetinga mobiliza após vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno, mesmo Lula a vencer na cidade.

Quem viu a euforia de um dos filhos do clã Hagge após o primeiro turno nas urnas de Itapetinga jurava que o tabuleiro político local estava mais do que resolvido. Mas a política, como bem sabem os frequentadores assíduos dos bastidores baianos, tem o condão de transformar vitórias confortáveis em pesadelos de última hora.

Enquanto a disputa presidencial entra em sua reta final e decisiva marcada para o próximo domingo (25), o ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB) se viu no centro de um verdadeiro vespeiro político. O motivo? A sua decisão de aderir abertamente à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), um movimento que acendeu o sinal amarelo e provocou calafrios entre os seus próprios aliados mais pragmáticos.

A euforia inicial da direita, que já dava a eleição de Flávio como favas contadas após o primeiro turno nacional, esbarrou em um fenômeno imprevisto: a reação massiva dos estudantes brasileiros. O que parecia uma eleição liquidada ganhou novos ares quando milhões de jovens tomaram as ruas de capitais como São Paulo (Avenida Paulista) e Rio de Janeiro (Copacabana), arrastando consigo um movimento nacional que revitalizou a campanha de Lula (PT).

Enquanto o candidato petista dá claros sinais de virada e embala o humor das ruas, o bolsonarismo estacionou, sofrendo com a visível dificuldade de mobilizar grandes públicos em defesa de sua chapa.

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E é justamente aqui que o enredo desembarca com força total na "Capital da Pecuária". Vale lembrar que, nas urnas do próprio município, Lula venceu com folga no 1º turno, conquistando quase 20 mil votos, escancarando a força da preferência popular na cidade.

Apesar disso, o tabuleiro local já vivia um clima de guerra fria e disputa fratricida no famoso grupo político fundado pelo patriarca Michel Hagge: os tradicionais “gabirabas”. A contenda interna opõe o atual prefeito, Eduardo Hagge (MDB), ao seu sobrinho e ex-prefeito Rodrigo Hagge, hoje, rivais políticos.

Ocorre que a base dos gabirabas é, em sua esmagadora maioria, formada por beneficiários de programas federais, ou seja, eleitores com forte raiz e sentimento lulista. E foi exatamente nesse vespeiro que Rodrigo meteu a mão ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro.

Para os aliados mais cautelosos, a aposta é um tiro no pé. Nos bastidores, a leitura é cristalina: o voto dos gabirabas em Lula não é apenas uma preferência partidária comum, é um sentimento profundo de proteção social. Querer transferir esse eleitorado para o bolsonarismo em cima da hora, ignorando a onda que já deu quase 20 mil votos ao petista na terra da carne, é uma missão não apenas improvável, mas politicamente suicida.

O resultado dessa equação ameaça arrancar todo o brilho das vitórias que os candidatos de Rodrigo conquistaram nas urnas itapetinguenses durante o primeiro turno contra o grupo do tio prefeito.

A avaliação unânime nos bastidores políticos da cidade é direta: Rodrigo Hagge não tem o poder de virar esse jogo em favor de Flávio Bolsonaro em Itapetinga. Continuar remando contra a maré que hoje mostra força nas ruas do país e já provou sua solidez na microrregião pode custar caro demais. O conselho dos mais prudentes aos ouvidos do ex-prefeito é um só: recuar, adotar a neutralidade e tirar o time de campo na disputa presidencial.

Afinal, para quem já mira o horizonte político de 2028, colar a imagem a uma derrota ou a um palanque desgastado pode ser o passo em falso que faltava para abrir caminho para os adversários. Na política da Terra da Pecuária, às vezes, o melhor cavalo para se montar é o silêncio.